Cinema, Crítica de Filme

| Zimba | Crítica

Em um documentário que busca mostrar a importância de Zimba para a dramaturgia brasileira, o documentário é exibido no Festival É Tudo Verdade 2021. Confira a crítica completa.

“Zimba” aborda a trajetória artística e existencial do ator e diretor de teatro, Ziembinski, que ao denunciar o nazismo com a peça “Genebra” de Bernard Shaw, é obrigado a fugir da Polônia. Após sua fuga, chega por acaso, ao Brasil onde encontra Nelson Rodrigues e monta “Vestido de Noiva” (1943), que revoluciona as artes cênicas no país. Narrado em primeira pessoa, a partir de material de arquivo e com participações das atrizes Nathalia Timberg, Camila Amado e Nicette Bruno, o filme recupera performances de Ziembinski no cinema, novelas e teleteatros.

O diretor Joel Pizzini traz um filme/documentário mostrando a história do biografado, mas temos aqui uma forma diferenciada em fazer uma longa deste tipo, já que as imagens mostradas são diferentes do offs executados. De uma forma que não respeitam uma linha do tempo tradicional, até mesmo quando temos imagens de Nathalia Timberg e Nicette Bruno elas são colocadas em momentos diferentes.

A ordem dos fatos também é inversa, vamos de seu funeral a sua infância, passando pelos seus principais trabalhos. A jornada aqui é diferente, para justamente mostrar uma pessoa que não fazia atuações tradicionais. Depois de uma forma incomum de começar, vamos para os trabalhos e importância de Zimba nos atos seguintes.

O problema deste começo diferenciado é que após isso temos uma abordagem próxima do esperado nos momentos seguintes, mas com a diferença de abordar toda a flexibilidade de Zimba em trabalhos distintos e sua forma de construir obras com um aspecto técnico que difere uma das outras.

Quando o diretor retoma o caminho de não linearidade, o documentário volta a ter qualidade de imagens e informações, pois mantém o espectador na narrativa e sai do marasmo de filmes biográficos, mesmo quando ele culmina no grande trabalho do ator, a montagem de “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, em 1943.

Nathalia Timberg, Camila Amado e Nicette Bruno, a última fez a protagonista da peça, narram o processo e como foi o trabalho com Zimba. A peça tem sua importância na dramaturgia teatral devido as mudanças de luz e qualidade técnica. Apenas este ponto já é suficiente para vermos a genialidade dele.

O diretor também mostra a ligação do biografado com Cacilda Becker, Tônia Carreira e Walmor Chagas, e sua experiência com a companhia Vera Cruz. E claro, que também temos problemas de Zimba como o momento black face já que não era possível escalar um ator negro como protagonista.

Mesmo usando falas indiretas e trazendo uma trajetória não linear, ‘Zimba’ traz uma homenagem segura, principalmente a quem não conhece o trabalho e sua importância para a dramaturgia.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s