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| Alvorada | Crítica

Em um filme intimista mostrando os bastidores do impeachment de Dilma Rouseff de uma forma que não vista, ‘Alvorada’ é exibido no Festival É Tudo Verdade 2021.

O filme narra de um ponto de vista íntimo, o dia a dia da Presidente Dilma Rousseff na sua residência oficial, o Palácio do Alvorada, enquanto aguardava o veredito de impeachment que acabou afastando a primeira mulher presidenta do Brasil. Retratando os corredores do palácio desenhado por Oscar Niemeyer, vemos o vai de vem de reuniões políticas, o dia a dia da cozinha, a troca de guardas, sussurros e telefonemas sem fim. Sentimos a tensão crescente dos funcionários, assessores, ex-ministros, perplexos e quase sem ação. Um grupo ou outro chega para dar apoio à presidente que cai. Mas o naufrágio parece inevitável.

As diretoras Anna Muylaert e Lô Politi trazem a história que conhecemos de uma forma não vista, pois temos aqui uma visão intimista da narrativa real recente, mantendo uma câmera próxima (Não seguindo) a Dilma mostrando como ela se articulava durante o tempo que buscava sua defesa. Vemos ela respondendo ao que ocorre, apenas isso já um retrato diferente dos fatos que já conhecemos.

A filmagem busca sempre este olhar secundário ao que ocorre, como se fosse um olhar de uma pessoa que está acompanhando uma entrevista da presidenta para um veículo de comunicação ou montando a estratégia de defesa. Alguns momentos até encontramos um enquadramento ‘mais cinema’, mas a maioria busca este lado diferente.

Crédito: Vitrine Filmes

O ritmo dos fatos reais são lentos, foram ocorrendo como um efeito dominó até o final derradeiro. A montagem final também mantém essa forma gradativa de eventos, porém ele foca nas partes interessantes e novamente traz um olhar diferente, por exemplo, naqueles momentos ‘Eu voto sim’ são vistos pelas Tv’s do Alvorada, os funcionários da residência oficial fazendo seu trabalho e acompanhando.

Poucas trilhas são utilizadas em ‘Alvorada’, por justamente manter o espectador focados nos diálogos e nos políticos que vão a residência mostrar apoio e auxiliar Dilma no seu processo, é interessante perceber o seu entorno e como ela mantém firme e dura, mesmo quando percebe que seu caminho não terá volta.

Filmar algo histórico é um registro, filmar algo histórico e político é raro, principalmente em um país cuja democracia é ‘nova’. A dupla de diretoras entende a importância do material que possui e que ela deve ser contada, sem lados e sim como tudo ocorreu.

Crédito: Vitrine Filmes

‘Alvorada’ tem um final conhecido, por isso temos uma forma também diferente de mostrar isso, enquanto temos uma narrativa lenta em boa parte do filme, o final se preza em simplesmente mostrar a presidente saindo e os funcionários fazendo a limpeza sem os itens de Dilma.

Outro acerto é também não fazer nenhuma ligação com o governo atual, afinal Michel Temer assumi e após uma eleição temos Jair Bolsonaro. Claro, que caso não houvesse o impeachment o rumo do Brasil poderia ter ido para outro caminho, mas o ponto central de ‘Alvorada’ é fazer um recorte de um momento de uma forma, que não vimos de um lugar conhecido. E ele consegue, mantendo o tom sóbrio e narrativo por todos os atos. E claro, se você acha que foi golpe, ‘Alvorada’ conversará de uma forma com você, caso não haja discordância ele será um filme diferente também.  

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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