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| Mostra Tiradentes | Filmes da mostra Aurora são anunciados

Sete filmes em pré-estreia mundial integram a Mostra Aurora e refletem o cenário atual da produção no Brasil. Os filmes são da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina e fazem suas estreias em sessões e debates que vão acontecer no site da 24a Mostra Tiradentes

Em 2021, a Mostra Aurora vai apresentar um recorte absolutamente inédito do cinema brasileiro contemporâneo de invenção. Serão exibidos 7 filmes dentro desta seção que integra a programação da 24a Mostra de Cinema de Tiradentes, entre os dias 22 e 30 de janeiro de 2021. Pela primeira vez em sua história, a Aurora reúne três títulos da Bahia. A seleção ficou a cargo da dupla de curadoria Francis Vogner dos Reis e Lila Foster.

Os filmes selecionados na Mostra Aurora 2021 são: “Açucena” (BA), de Isaac Donato; “Oráculo” (SC), de Melissa Dullius e Gustavo Jahn; “Rosa Tirana” (BA), de Rogério Sagui; “Kevin” (MG), de Joana Oliveira; “A Mesma Parte de um Homem” (PR), de Ana Johann; “O Cerco” (RJ), de Aurélio Aragão, Gustavo Bragança e Rafael Spíndola; e “Eu, Empresa” (BA/MG), de Leon Sampaio e Marcus Curvelo. Todos eles serão avaliados pelo Júri Oficial e concorrem ao Troféu Barroco e a prêmios de parceiros da Mostra.

“Considerando a circunstância histórica tão complicada para o cinema brasileiro atualmente, foi muito importante chegarmos a esse recorte tão expressivo e inédito”, destaca Francis Vogner. Para o curador, os títulos têm singularidades que os tornam experiências distintas entre si e representam um instantâneo do atual cenário de realização no país, com produções modestas, de baixo orçamento, sem editais e de possibilidade reduzida de circulação devido a efeitos da pandemia.

Por sua vez, Lila Foster diz ter sido inevitável, para a Aurora em 2021, pensar no atravessamento do tempo no cinema brasileiro, já há alguns anos sofrendo uma série de arrochos, de mudança no financiamento e na circulação dos filmes. A situação se agravou em 2020, por conta do esvaziamento das políticas de fomento em âmbito federal e por quase um ano de isolamento devido à pandemia, o que afetou diretamente toda a cadeia profissional do setor. “A relação espectatorial com os filmes se tornou muito diferente também, diante de um público que está em quarentena e das salas que ficaram fechadas por tanto tempo. Alguns filmes deste ano na Aurora, de formas muito interessantes, fazem uma espécie de dobra no tempo em relação a esse tempo acelerado que a gente tem vivido”, comenta Lila.

“O Cerco” (RJ) já leva ao título a questão do corpo cerceado que tem sido parte da vida durante a pandemia e trata disso atualizando tensões do cotidiano carioca, num ambiente confinado, de movimentos intimistas e cenários limitados. Já “Eu, Empresa” (BA/MG) promove um jogo entre performance, ficção e documentário para tratar da precarização do mercado audiovisual brasileiro, o que se agrava em tempos são sombrios como os atuais, marcados pelo esvaziamento de órgãos de fomento e marginalização da cultura em âmbito federal.

De natureza mais fabular, “A Mesma Parte de um Homem” (PR) mostra o isolamento de uma mãe e sua filha em meio a acontecimentos dramáticos que não se mostram de imediato, numa ambiência naturalista e surreal que se apresenta como exercício de dramaturgia a partir de corpos tensionados e de um espaço enclausurado. No caso de “Rosa Tirana” (BA), a fabulação mítica do sertão baiano é feita pela ótica do olhar infantil, da imaginação, medo e projeção de uma criança a partir de seu entorno e suas relações.

Na chave da observação e da atenção aos corpos retratados em cena, “Açucena” (BA) olha para sua personagem com um tempo dilatado e uma montagem muito especial, que documenta também o próprio processo de espera que caracteriza o andamento do filme. “Kevin” (MG) tem caráter similar, ao acompanhar a personagem-título em situações que parecem estar muito próximas do cotidiano, mas com a presença da diretora do filme, que estimula e encena determinados acontecimentos diante da câmera. Por fim, em chave mais experimental, “Oráculo” (SC) se constitui de planos-sequências cujas densidades dramáticas se modulam com o cenário de natureza, as pessoas, as performances e um trabalho sonoro de invenção.

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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