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| Mank | Crítica

Em um filme que parece ser retirado dos anos 40, ‘Mank’ conta a história por trás do roteiro de ‘Cidadão Kane’ e as boas atuações de Gary Oldman e Amanda Seyfried pode render premiações ao filme dirigido por David Fincher.

‘Cidadão Kane’ (1941) é considerado por muitos especialistas de cinema como um dos maiores filmes já feitos. Quando há uma lista de melhores filmes, o longa dirigido por Orson Welles está em primeiro ou segundo lugar. É inegável o quanto este filme representa para o cinema. Pra quem gosta da sétima arte, esse filme é obrigatório, mas não precisa vê-lo para entender ‘Mank’. Eu até revi ‘Kane’ imaginando uma melhor experiência, mas como o longa funciona como um preludio, não há grande diferença. Claro que quando nomes como ‘Orson Welles’, ‘RKO Pictures’ e ‘David Sarnoff’ aparecem fica mais interessante.

A história de ‘Mank’ é de Jack Fincher, pai do diretor David Fincher, que finalmente consegue trazer o roteiro escrito pelo pai, falecido em 2003 para as telonas. O roteiro era conhecido pela indústria cinematográfica há algum tempo, mas era visto como uma história cara e difícil de ser feita do jeito correto. David reescreveu o roteiro diversas vezes e chamou inclusive alguns roteiristas para ajudá-lo, após enfim conseguir o sinal verde para filmar, fez um acordo para apenas o pai ser creditado como roteirista com uma forma de homenageá-lo.

Agora que foi explicado o processo de ‘Mank’, vamos ao filme. Desde a primeira cena, percebemos que houve um cuidado de fazer deste filme lançado na Netflix, como se fosse um filme lançado nos anos 40. Nada de imagens em alta definição, um som impecável e cenários da forma que vemos hoje. O diretor tomou todos cuidados para ser um filme de época de verdade. Não como ‘O Artista (2011)’ que faz uma grande homenagem ao cinema, mas tinha boas imagens e som condizentes a época que o filme foi gravado. Para se entender essa obsessão, David inseriu alguns ruídos na pós produção para mudar o som dos atores em cena, já que a captação dessa época não era ‘limpa’ como hoje.

Amanda Seyfried (Marion Davies) e Gary Oldman (Mank) – Foto: Netflix

David também filma como se fosse um longa de época, fazendo os enquadramentos comuns da década de 40, faz os planos abertos que mostravam os cenários grandiosos e movimenta muito pouco a câmera. Não comparando os filmes, mas o diretor Todd Phillips fez o mesmo ao gravar ‘Coringa’ (2019), como o filme se passa no fim da década de 70 e começo dos anos 80, ele o gravou se fosse dessa época, não como um ‘filme novo’. Este trabalho lhe rendeu uma indicação ao Oscar, o mesmo por ocorrer com David caso a Academia pense da mesma forma.

Gary Oldman faz ‘Mank’ da forma que ele é descrito na época, como um bom roteirista, que escreveu para diversos estúdios (Sem nunca ser creditado), mas também era conhecido pelo abuso de álcool, vício em apostas e dar pouca atenção a esposa. O ator traz muita humanidade ao personagem real, pois o roteiro aborda essas ‘duas vidas’ com muitos flashbacks, diálogos e o foco da relação dele com os produtores de cinema.

O foco é Herman J. Mankiewicz (1897- 1953), mas o elenco de apoio, além de fazer as interações com o protagonista, traz muito dos bastidores do próprio cinema. Um exemplo é Amanda Seyfried que capta o gestual e aparência perfeitamente de Marion Davies, além de ter um arco secundário bem explorado. O longa também mostra as festas extravagantes que eram comuns entre os produtores de cinema da época, onde Marion era convidada.

Amanda Seyfried (Marion Davies) – Foto: Netflix

O longa ainda consegue mostrar os bastidores do cinema e da indústria do entretenimento da época em um tom didático. Podemos ver como eram as produções da época, pois há muitas cenas de backstage, mostrando até a transição de filmes mudos para filmes com diálogos.

‘Mank’ tem uma boa história, com os aspectos técnicos bem executados respeitando a época retratada. E por ser um filme sobre o cinema, um gênero que a Academia costuma gostar, pode estar presente na temporada de premiações.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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