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| Sapatinho Vermelho e os Sete Anões | Crítica

Em uma animação que sabe discutir o sentido real da beleza, ‘Sapatinho Vermelho e os Sete Anões’ traz uma releitura do conto tradicional, mas aborda temas diferentes do original.

Nesta releitura do famoso conto da Branca de Neve, o beijo da princesa de sapatos vermelhos (Chloe Grace Moretz) é a única cura para os sete anões que, na verdade, são sete príncipes arrogantes. A disputa pelo beijo da princesa fará com que eles mudem suas visões de mundo e entendam o verdadeiro significado da beleza.

Essa abordagem diferente do conto original, se percebe não só na história, mas no universo da animação escrita e dirigida por Sung-ho Hong. Ela possui um universo mágico compartilhado. Então temos referências não só a Branca de Neve, temos citações das outras princesas, elementos místicos e reinos. Esse universo compartilhado é bem trabalhado, mesmo que seja em pequenos easter eggs.

O roteiro do diretor trabalha algo muito presente na nossa sociedade, da beleza ser o principal elemento entre pessoas. Percebe-se todo um cuidado de mostrar de como branca de neve é tratada diferente quando está com os sapatos e o como os diálogos e ações mudam quando ela está sem elemento mágico. O mesmo serve para os príncipes nas suas duas formas.

Crédito: Paris Filmes

A forma com que o longa trabalha com essas analogias é o principal ponto de destaque de ‘Sapatinho Vermelho’ ele usa estes elementos com uma sutileza ímpar, caminhando aos poucos e entregando um resultado bom ao final do filme. Claro, que por possuir uma indicação infantil, não espere um aprofundamento e final fora do comum, mas a forma com que o roteiro chega ‘lá’ é pelo menos diferente do clássico príncipe-princesa.

Os traços também ajudam neste ponto, mas não perdem qualidade ao tratar as ‘duas identidades’, há a mesma preocupação técnica nos dois momentos. Inclusive os detalhes do estúdio no momento das cenas de ação e que evidenciam os poderes dos príncipes são ótimas, com muitos detalhes e diálogos que são bons alívios cômicos.

O problema da animação é dar muita atenção a Merlin (Sam Claflin) e com isso descobrimos muito pouco dos outros príncipes, até mesmo detalhes de como eles se uniram e como ele descobriram seus poderes ficaram subjugados a pequenos diálogos. O grupo funciona tão bem junto, se seria interessante ter mais explicações neste sentido.

Crédito: Paris Filmes

A jornada de aceitação das novas vidas presente também é digna de elogios, a forma como aos poucos, os personagens vão entendendo sua forma de estar no mundo e por isso vão ganhando força e maior presença de tela. Pena, que essa ótima construção se perde em um final óbvio, presente em qualquer conto de fadas. Até as cenas mostradas durante os créditos, também desconsideram a história que acabou de ser exibida.

Claro, que este final óbvio não diminui a boa história, o único problema é que percebemos que a história de ‘Sapatinho vermelho e os sete anões’ tinha com ir para caminhos diferentes.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Instagram: @npmes

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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