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| A Voz Suprema do Blues | Crítica

Em um filme com grandes atuações de Chadwick Boseman e Viola Davis, ‘A Voz Suprema do Blues’ estreia na Netflix, em um dos filmes que deve ser ‘figurinha carimbada’ nas premiações do cinema.

Ambientado em um estúdio de gravação em 1927, o filme acompanha uma sessão de gravação de Ma Rainey (Viola Davis), a “mãe do blues”, e os conflitos dela com o talentoso e inovador trompetista Levee (Boseman). Rainey representa o tradicional, enquanto Levee tentava emplacar uma modernidade ao som da banda.

O longa dirigido George C. Wolfe adapta a peça teatral de mesmo nome, e consegue fazer um filme com uma alma teatral que permanece por toda a história. O longa inclusive traz os elementos naturais com o calor de Chicago como se fosse um personagem.

Além do aspecto teatral dado a obra, o diretor também realiza cenas mais longas, com cortes suaves para dar espaço as grandes atuações de Viola Davis e Chadwick Boseman, que infelizmente faz seu último papel. Os dois preenchem a tela, seja pela imposição de seus personagens, diálogos afiados e arcos dramáticos que ficam restritos aos últimos atos.

Crédito: Netflix

Viola entrega um trabalho de nível elevado com menos tempo de tela que Chadwick. O roteiro de Ruben Santiago-Hudson que traz muitos detalhes da peça original, soube separar os dois personagens em atos distintos, com pouca complementação, o que prende a atenção do espectador quando vemos Chadwick e Viola. Claro que interações entre os dois seriam bem vindas, mas podemos ver os dois em momentos distintos.

Como a peça, o filme segue uma linha linear de eventos, mas com muita intensidade a cada novo fato, com muito desenvolvimento de personagens. Isso causa no filme discussões de temas sérios como o racismo, os pontos de poder e efeito da música em brancos e negros.

Além de fazer o calor como se fosse um personagem, o mesmo é feito com o ‘Blues’. A música de Ma Rainey (1886-1939), tem momentos para lembramos de toda sua imponência vocal e suas atitudes fora do palco (Essas atitudes que parecem estranhas, são explicadas). Viola, como já dito, domina personagem e traz todos os trejeitos conhecidos de Ma. Inclusive algumas músicas da trilha original possuem a voz de Viola.

Crédito: Netflix

O longa também sabe trabalhar os simbolismos durante sua história, seja uma porta que não abre, o local onde ficam os músicos e sapatos usados por Ma. São cenas bem curtas, mas são carregadas de importância para a história e para os personagens em tela.

‘A voz Suprema’  traz um dos melhores filmes de 2020, e por ter muita qualidade técnica e de atuação, deve aparecer nas principais premiações do cinema em 2021.

Nota: 5/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Instagram: @npmes

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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