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| Colômbia Era Nossa | Crítica

Em um filme que aborda as mudanças dentro das Farc, ‘Colômbia Era Nossa’ mostra a nova realidade do grupo que agora busca seu espaço na política do país. Confira a crítica completa do filme que faz parte da programação da 44ª Mostra Internacional Internacional de Cinema de São Paulo

Após 52 anos de conflitos armados, as guerrilhas das Farc, na Colômbia, estão prestes a entregar suas armas em troca de participação política e de inclusão social para os mais pobres. Com o aguardado acordo de paz, Ernesto, um dos guerrilheiros, se vê em meio ao caos em uma sociedade que tem medo do futuro e teme pela própria sobrevivência.

Temos uma história vista de dentro do sistema, de representantes do movimento, os diretores Jenni Kivistö e Jussi Rastas evitam todo o movimento violento, focando na tentativa de entrada na política. Temos aqui uma história que muda de foco, buscando transformação.

Essa transformação humaniza os personagens apresentados, de forma inesperada, já que falamos de um movimento ‘revolucionário’ colombiano conhecido por ser violento, matar e fazer contrabando. Causa estranheza, mas é um tom diferente, que causa até empatia em alguns momentos.

Foto: Jussi Rastas

E tudo ocorre aqui com muita naturalidade, como um homem que limpa seu rifle enquanto joga ‘conversa fora’, essa naturalidade acaba influenciado o ritmo do filme, que é lento, explicando cada ponto e personagem. Deixando toda a tensão esperada para momentos específicos e pontos de virada.

Claro que quando a tensão aparece, ela envolve a cena e a narrativa, mesmo sendo pontual. Os diretores usam isso, para deixar aquele ponto, de mesmo estarmos assistindo uma história humana, temos uma reputação antiga de males causados ao país.

O longa também tem seus momentos políticos, já que a Farc quer entrar na via pública, abordando de uma forma quase que didática de como pode ser um problema ainda maior, caso a organização tenha uma voz em um processo democrático. Já que muitos candidatos falam da sua relação com o grupo abertamente, seria como um candidato dizer que é miliciano em sua plataforma de governo, e ainda pior, se sentir orgulhoso por tudo isso.

Foto: Jussi Rastas

‘Colômbia Entre Nós’ não é um primor de história, ainda mais quando tenta trazer um lado humano para um grupo brutal, mas ao menos deixa o passado claro, e como isso pode repercutir, mesmo sem uma arma na mão.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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