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| Transtorno Explosivo | Crítica

Em um filme forte que aborda problemas familiares e educacionais. ‘Transtorno Explosivo’ é uma das grandes estreias do cinema nessa semana. Confira a crítica completa.

Benni (Helena Zengel), de nove anos, é pequena, mas perigosa. Ela já se tornou o que os serviços de proteção infantil chamam de “destruidora de sistemas” e não pensa em mudar. Benni tem um único objetivo: voltar para casa e ficar ao lado de sua mãe, mas Bianca tem medo da própria filha. A única esperança da menina, é Micha, um especialista em controle de raiva.

Este filme tem a proposta de tocar em pontos duros, como o sistema educacional que têm dificuldade em lidar com alguns problemas psicológicos em crianças, pois faltam especialistas. Uma mãe que perdeu as esperanças em controlar sua filha e a própria Benni que quer mudar, mas ela tem dificuldade em lidar consigo. E este filme de Nora Fingscheidt sabe colocar tudo isso como propriedade na sua história.

A história escrita pela própria diretora, usa a história de Benni para abordar estas diversas camadas, a partir de suas respostas ao ambiente e seus traumas. A garota de menos de 10 anos, que é deixada em uma instituição pela mãe, pois ela (Mãe) entende que não consegue cuidar corretamente da filha, este ‘pseudo-abandono’ é duro, forte e colocado na tela do jeito certo.

A história segue uma linearidade por abordar o tratamento da criança, mas percebe-se que há um cuidado em intercalar momentos de brutalidade e inocência, para mostrar que Bennie ainda é uma criança, deixando diversas perguntas no ar sobre seu real transtorno.

O filme ainda possui tempo para mostrar um conexão entre criança e adulto, Heller (Albrecht Schuch) especialista em raiva responsável pelo tratamento tentar criar um laço com Bennie, já que ele busca encontrar um saída para a garota, mas o fato dele ficar receoso a cada escolha, a cada alternativa temendo um ataque de fúria. A humanização da dupla rende as melhores cenas do longa.

Claro, estes momentos pincelados de afeto, também servem para abordar os diversos momentos delicados, pois mesmo com os ataques de raiva e brutalidade, ela é uma criança, pois há as cenas de uma criança buscando afeto e aprovação. Quando ela chama seu tutor de ‘pai’, dói na alma.

Benni é um caso extremo, pois seu comportamento não é um transtorno claro e sim uma união de fatos, por isso exige um tratamento ‘exclusivo’, por isso temos um filme cheio de emoções, tramas e problemas. E como temos um longa que lida bem com estes excessos, faz total sentido a atenção que a narrativa teve nestes anos, pois não é fácil trazer tantas camadas e explicar cada uma delas.

Nota: 5/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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