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| O Livro dos Prazeres | Crítica

Em um filme que aborda as dificuldades de se relacionar com o outro, aliado a uma atuação poderosa de Simone Spoladore, o longa ‘O Livro dos Prazeres’ chega para ser exibido na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme ‘O Livros dos Prazeres’ é uma adaptação livre de “Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector. Acompanhamos Lóri (Simone Spoladore), uma professora que vive a monotonia de uma rotina de trabalho e relacionamentos furtivos até que conhece Ulisses (Javier Drolas), um professor de filosofia argentino, egocêntrico e provocador. É com ele que Lóri aprende a amar enfrentando sua própria solidão.

Essa jornada dirigida por Marcela Lordy é de autoconhecimento, para ser simplista nas palavras, mas ela abrange muitas nuances na sua narrativa. A marcação da história que lembra capítulos de livro, são para mostrar estas diferenças na personalidade de Lori.

O filme também fala de entender a própria solidão, de como podemos ser felizes, sem ter alguém na nossas vidas, claro, que quando encontramos alguém diferente temos a dificuldade de nos abrir, a narrativa apresentada faz tudo isso, com o tempo certo, as angústias de cada momento, sem precisar de elementos gráficos, tendo apenas as atuações para esmiuçar estes sentimentos.

Foto: Divulgação

Simone Spoladore (Magnífica 70) traz para este filme uma atuação poderosa e muito corporal, em cenas fortes. Um papel com muitas camadas que se alteram conforme avançamos no tempo, com arcos dramáticos e nuances bem marcadas. Claramente um dos pontos positivos do filme é sua atuação.

Os sentimentos mostrados aqui se alteram como fases da vida, que ficam mais claro, devido a segmentação de Marcela dá ao filme, e como os eventos vão ocorrendo. O longa não tem medo de mostrar cenas ou de mostrar o corpo para deixar claro suas intenções, os caminhos escolhidos fazem sentido ao se observar a obra toda.

A transformação causada na protagonista com a presença de Javier Drolas (Ulisses) é inegável, claro que há um ‘o que fazemos por amor’, mas a história busca mostrar mudanças de comportamento e trocas de informações. O uso do personagem masculino para mudanças, sem o estigma do príncipe encantado para salvar a princesa, também é ótimo para validar que o Lóri passa pode ser mais comum do que se imagina.

Lóri Simone Spoladore (Lóri) e Javier Drolas (Ulisses). Foto: Divulgação

A jornada, como qualquer outra, tem problemas, aqui ficam restritos ao restante do elenco, já que eles são usados para adicionar dados na trama, não há uma grande cena, mas as mudanças de comportamento a cada visita foram algumas muito rápidas, praticamente de uma cena para outra, sem deixar claro quanto tempo se passou. O tempo inclusive aqui é tratado como se passasse lentamente, se não fosse a rotina como professora, quase não veríamos sua presença.

‘O Livro dos Prazeres’ traz uma boa narrativa humana, muito próximos do que podemos observar em uma pessoa comum, principalmente as que tem problemas em se relacionar com o outro.

*Filme visto na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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