Confira a crítica de Aeroporto Central

Falar de temas tão humanos, como a crise dos refugiados, se faz necessário um olhar diferente na situação. Não basta simplesmente filmar o local e colocar uma narração por cima, é um trabalho minucioso, cuidadoso, pois é necessário trazer o espectador para a cena dando a carga dramática necessária. E ‘Aeroporto Central’ de Karim Aïnouz traz tudo isso e muito mais elementos.
O documentário de um pouco mais de uma hora, traz o recorte da crise humanitária dos refugiados iniciada em 2015, de pessoas que buscam em outros países uma nova chance de vida. A realidade aqui é essa, mas Karim prefere que os seus personagens reais e a realidade que ele filma conte a história.
O lugar utilizado é o mesmo, o aeroporto desativado de Tempelhof, em Berlim, utilizado como chegada e saída de refugiados de guerra até 2019. O governo utiliza seus enormes hangares e sua parte estrutural para dar condições um pouco melhores para os que chegam buscando refúgio. Quem conta as histórias dos presentes no local é o jovem Ibrahim Al Hussein morou no local em 2015 e 2016. Assim como se não houvesse um roteiro, vamos conhecendo a rotina do jovem neste local, as saudades que ele sente de casa e dos outros refugiados que buscam asilo na Alemanha.
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| Cena de Aeroporto Central com Ibrahim Al Hussein Foto: Juan Sarmiento |
O tom do documentário é sensível, com toda a delicadeza e realidade necessária bem balanceados. Ibrahim Al Hussein que, aliás, passa sua angústia através dos olhares aflitos, principalmente por ser jovem e estar sozinho, longe de tudo. É uma realidade que é difícil de se imaginar, mas Karim consegue trazer com firmeza tudo, como se estivéssemos ao lado do protagonista.
Este olhar que parece acidental tem motivo para ocorrer, ao afastar a câmera dos personagens privilegiando os espaços, isso facilita ao espectador construir uma afetividade com os personagens reais de ‘Aeroporto’. Outra escolha interessante do diretor é transformar as respostas das entrevistas em ‘off’ (Locuções), essa abordagem dá uma nova configuração ao documentário.
O diretor é assertivo em todas as escolhas que realiza, pois ele dá voz as refugiados, sem cenas mais dramáticas ou mais duras, com um forma de humor bem centrada, sóbria quando necessário e com alguns pontos de leveza para mostrar que a vida é dura, mas tem seus momentos de alegria.
Nota: 4/5
Saldo: Documentário/filme com sensibilidade ímpar
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