Confira a crítica de Diários de Classe
Diários de Classe acompanha o cotidiano de três mulheres – uma jovem trans, uma mãe encarcerada e uma empregada doméstica –, estudantes de centros de alfabetização para adultos em Salvador. Embora trilhem caminhos distintos, suas trajetórias coincidem nos preconceitos e injustiças sofridos cotidianamente. O documentário em estilo direto aposta no recorte espacial da sala de aula a fim de se aprofundar no dia a dia dessas personagens, revelando suas tentativas diárias de contornar o apagamento sistemático de suas existências.
E o documentário segue neste caminho o tempo todo, abordando a rotina escolar dessas mulheres e seus momentos particulares, por causa o documentário tem um início lento pra justamente deixar claro pro espectador cada personagem e criar elos de empatia, pois cada uma tem a sua dificuldade, a direção de Maria Carolina da Silva e Igor Souza vai as poucos deixando todas as situações claras.
Um dos pontos positivos é justamente abordar diversas temáticas sem momentos apelativos ou para chocar os espectadores, ele foca na realidade dura, mas com leveza e com dignidade, mostrando a situação de mulheres não atrizes e as deixando contar a história para a câmera.
Esse é o grande trabalho deste filme, deixar a câmera filmando o cotidiano e levar aos cinemas um corte preciso que mostra todos as nuances das personagens sem deixar pontas soltas ou situações explicadas. Além de conseguir misturas as três histórias, sem perder o ritmo.
Diários de Classe é um ótimo exemplo de como o Brasil pode lançar um ótimo produto sem se apoiar em estereótipos, fazendo o típico complexo de “coitadinho”, o documentário é pautado no real e carrega essa marca durante toda a exibição. O que faz a sua visita ao cinema imprescindível, por contar uma ótima história e tem uma montagem e edição perfeitas que servem como uma aula de termos técnicos.

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