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|Review| A incrível Odisseia de Assassin’s Creed

Confira o review de Assassin’s Creed Odyssey

 

Diversas transições ocorreram durante os anos na franquia Assassin’s Creed. Transições cosméticas, em gameplay, e na direção de como a série iria. Porém, todas essas transições se concentram em um ponto de convergência único, que resultou em Assassin’s Creed Odyssey, que ate o momento, é o jogo mais completo da série.

A série Assassin’s Creed teve durante muito tempo seu gameplay focado em combate baseado em contra-ataque e exploração do seu universo histórico em monumentos e personagens importantes de nossa civilização. Em Assassin’s Creed Origins, o jogo se tornou algo mais complexo e profundo apresentando elementos de RPG, como hitboxes, upgrade de equipamentos, árvore de habilidade, entre outros, fazendo com que a história se tornasse um fator complementar em harmonia com a sensação de segurar o controle. Em Assassin’s Creed Odyssey, não temos a sensação de ter apenas elementos de RPG, e sim de que de fato, a franquia está cada vez mais se tornando um RPG, ainda claro, não tão RPG como clássicos do gênero como Persona, Final Fantasy, Chrono Trigger, entre outros. Mas o que era apenas um flerte, agora está se tornando uma realidade. Fato que agradou grande parte do público, já que uma das grandes críticas em relação aos jogos anteriores, era justamente ter um gameplay raso e sem desafio. Em Odyssey, desafio é o que não faltará, e a gana por novas conquistas pessoais irá acrescentar e muito na experiência do jogador.
Logo de cara, ao iniciar o jogo, você tem duas opções de gameplay. Uma mais tradicional, onde ao receber uma missão o HUD indica exatamente para onde ir, e uma segunda onde requer que o mundo seja mais explorado para que você saiba onde tem de ir. Dialogar com NPC’s, investigar ruínas, vasculhar por documentos se torna algo fundamental caso você escolha a segunda opção, e o jogo não te dará de mão beijada.
Temos um sistema de batalha náutica totalmente reformulado, sendo possível aprimorar sua defesa, ataque, incrementar sua tripulação, recrutar tenentes com habilidades diferentes para auxiliar durante o combate, e até customizar o seu navio da maneira que quiser.
Seu personagem agora terá diferentes opções para se montar uma armadura ao seu gosto para combate. Uma infinidade de elmos, braceletes, botas que trazem diferentes características como dano, defesa, stun etc. As partes encontradas para sua armadura podem ser substituídas ao gosto do jogador, e caso ache necessário, você pode guardar uma peça determinada e upar ao longo do jogo, e o mesmo se aplica ao seu arsenal. As armas, à exemplo de seu antecessor, Origins, traz uma infinidade de arcos, espadas, adagas, lanças, martelos, cajados, etc. Nos arcos temos uma novidade. Em Origins, tínhamos 4 variedades: arcos de longa distância, arcos de charge attack, arcos com mira de precisão e arcos que davam mais dano. Esse ano, a Ubisoft concentrou tudo isso em apenas um tipo de arco, e as variações foram colocadas como habilidades, que iremos falar mais pra frente.
O sistema de combate tem como base o mesmo do jogo anterior, porém, claramente aprimorado. Inimigos não irão ter piedade de você, se caso você chame atenção de vários ao mesmo tempo, todos irão te atacar freneticamente. A IA dos adversários recebeu um grande upgrade, e mesmo você possuindo habilidades que te auxiliem no stealth mode, você terá de ter uma boa estratégia se não quiser chamar a atenção. Também temos as batalhas de conquista, no melhor estilo de filmes como 300 e Tróia, onde poderá disputar determinado território ou defendê-lo. Durante o jogo, você poderá escolher entre defender Esparta ou Atenas em meio essa guerra, ou se quiser mudar de lado, sinta-se à vontade.
Uma das mudanças mais consideráveis em Odyssey, foi a introdução do menu “Mercenários”. Assim como Sombras de Mordor, o jogo recebeu um sistema de criação procedural de personagens que não te trarão paz em sua jornada. Contratantes irão colocar sua cabeça à preço, e cada ação que você tomar no jogo, resultará em um valor cada vez maior, logo, a procura será maior e mais mercenários irão te atacar ao lhe encontrar. Caso algum deles te mate, subirá de nível e terá mais prestígio, assim como em Sombras de Mordor, porém seu personagem (Alexios ou Kassandra) também está no meio disso, portanto quanto mais mercenários você matar, mais prestígio terá, e subirá de nível mais rápido. Você também tem a opção de negociar diretamente com os contratantes para que seja retirada a recompensa por sua cabeça pagando em dachmas(moeda do jogo), ou se preferir, pode simplesmente matá-lo, que também resultará na eliminação do contrato por sua procura. Vale lembrar que cada mercenário possui sua própria habilidade e própria estratégia de combate. Logo não será tão fácil enfrentá-los.
A árvore de habilidades recebeu grandes mudanças. Agora temos 3 classes de habilidades diferentes. Assassino, que prioriza habilidades furtivas, Guerreiro, onde trará mais vantagens em combate corporal, e Caçador, onde as habilidades de arco citadas acima serão aprimoradas. Já tínhamos algo parecido em Origins, mas em Odyssey, temos mais profundidade na árvore de habilidades. Ao apertar os botões superiores esquerdo do controle (L1, L2 no PS4, LB, LT no Xbox One) acionamos o comando de habilidades de luta corporal e de arco. Essas habilidades podem ser alteradas a qualquer momento, e a que você considerar mais útil, pode ser introduzida para a combinação de botões de sua preferência. Cada habilidade pode ser aprimorada até 3 vezes de acordo com o que você achar mais necessário. O famoso chute espartano do Rei Leônidas presente no filme 300 está incluso em uma dessas habilidades.
O mundo aberto de Odyssey é algo de encher os olhos. É comum ver comentários de como a Ubisoft realizou um belo trabalho em jogos anteriores, e como ela se superou em um novo trabalho. Mas com o perdão da redundância, a Ubisoft realizou um trabalho incrível em Origins, mas em Odyssey ela se superou.
Visualmente foi criado um ambiente fantástico e memorável. Não existe nada mais lindo atualmente no que se diz respeito à games do que pegar seu navio, seguir seu rumo e ver um grupo de golfinhos te acompanhar em mar aberto, ou até mesmo presenciar baleias desfilando e saltando para fora d’água. O ecossistema está riquíssimo. Você pode encontrar arraias, águas vivas, uma variedade imensa de peixes, cachorros, pássaros de diversas cores, tartarugas marinha, alces, íbex, gavitoas, enfim, muita coisa. Esse ambiente belo e vasto, porém pode ser extremamente hostil. Não pense que você pode simplesmente mergulhar tranquilamente em mar aberto sem ser atacado por tubarões. Em matas fechadas, é comum encontrar uma alcateia de lobos famintos inteira pronta para te devorar. Ursos gigantes irão te surpreender se você não prestar atenção onde está pisando além de claro, leopardos, tigres e leões. Ah, e lembra dos mercenários que foram mencionados? Pois é, alguns deles domesticam animais selvagens para te atacar, tudo para tornar sua vida muito mais simples na Grécia antiga.
Em relação à população de NPC’s de AC Odyssey, houveram consideráveis aprimoramentos. Ao caminhar nas ruas das cidades, é possível ver pessoas brigando entre si, contando piada, comprando mantimentos, pescando, fazendo sexo, trabalhando, recitando poemas, reformando suas casas e mais uma infinidade de ações que não se repetem durante o jogo, deixando tudo da forma mais natural possível e com muita personalidade, assim como em jogos da própria Ubisoft, à exemplo de Watch Dogs 2.
Em missões secundárias você não encontra apenas mais um civil, que ao completar suas tarefas irá sumir no mapa. Elas tem sua própria personalidade e temperamento, possuem nomes e história própria. Você pode estabelecer vínculos com essas pessoas ao demonstrar que se importa com suas histórias, e a partir daí, recrutá-la para seu navio ou até estabelecer um vínculo afetivo com essa pessoa, fazendo amizade ou até mesmo poder fazer sexo com ela.
No menu do mapa, é possível selecionar filtros para que você possa saber mais sobre locais históricos da Grécia que estão no jogo.
As paisagens são as mais belas possíveis e imagináveis. Desde florestas vívidas cheias de cores contrastadas, regiões montanhosas com vistas periféricas das regiões, até o mar aberto deslumbrante com cores radiantes. O ponto de partida do jogo é a ilha de Cefalônia, e é impossível não se impressionar ao comparar as imagens reais do local com as do jogo.

A dublagem é algo fenomenal. Tem personalidade e é marcante. O jeito bruto de Alexios e a ironia de Kassandra são muito bem interpretadas por Letícia Quinto e Rafael Rossato e isso se estende para o restante dos personagens que foram eternizados em grandes atuações. Tudo isso acompanhada por uma genial trilha sonora composta pela dupla The Flight, nome artístico de Joe Henson e Alexis Smith, que já haviam trabalhado na franquia anteriormente.

Odisseia foi um poema escrito por Homero, concluindo a narrativa de Ilíada sobre a brava jornada de Odisseu e o longo retorno que durou 10 anos à sua terra natal, a ilha de Ítaca após ser consagrado como o grande herói da Guerra de Troia. Não é a toa que esse nome foi escolhido, já que quando Assassin’s Creed Odyssey começou a ser produzido, a franquia completou seus 10 anos. Muito criticada por uns, elogiada por outros, assim como Odisseu, a série batalhou forte durante esse tempo todo e se estabeleceu como uma das maiores fanbase da história dos games. Assassin’s Creed Odyssey é uma celebração de tudo isso. É nítido você perceber cada detalhe de cada jogo anterior da franquia ali presente. É o ponto de exclamação que coloca Odyssey, não apenas como um dos melhores jogos de toda série, mas sim como um dos fortes candidatos a ser escolhido como um dos melhores jogos de 2018.

*texto produzido por: William Portugal

*Edição e postagem: Bruno Cunha

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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