Afrontinha, Afronta! Nova Onda e Afronta Indígena somam 52 episódios e colocam no centro crianças, jovens e artistas negros e indígenas que estão inventando o Brasil de agora.
O universo Afronta! se expande. Criado por Juliana Vicente e produzido pela Preta Portê Filmes, o projeto ganha três novas séries documentais que fazem sua estreia brasileira no Festival do Rio. O Especial Afronta! integra a Première Brasil: Especial Séries Brasileiras, mostra que selecionou apenas cinco séries, em um espaço restrito a cinco sessões em toda a programação do festival. A exibição acontece na quinta-feira, 8 de outubro, às 18h45, no Centro Cultural FGV, em Botafogo, com entrada gratuita e retirada de ingressos pelo site do festival.
Desde sua origem, o Afronta! esteve à frente do seu tempo. Lançada em coprodução com o Canal Futura e depois levada pela Netflix a diversos países, a série escutou artistas e pensadores negros que hoje ocupam o centro da cultura brasileira, como Liniker, Grace Passô, Gabriel Martins e Tasha & Tracie, muito antes de se tornarem referência. Agora, o projeto amplia esse gesto de escuta para novas gerações e novos territórios: Afrontinha, feita com e para as crianças, com 13 episódios; Afronta! Nova Onda, que apresenta a juventude negra que está redesenhando a cultura, também com 13 episódios; e Afronta Indígena, em duas temporadas de 13 episódios cada, que leva o olhar do projeto para ancestralidade, território e identidade dos povos originários.
As três séries têm direção artística de Juliana Vicente e direção de Carol Aó, Hanna Batista e Washington Deoli, em uma parceria criativa que reúne diferentes olhares sobre um mesmo gesto: escutar quem está criando o Brasil de hoje. A sessão no festival apresenta um recorte desse universo, com 1h35 de duração organizada em três blocos, um para cada série. Cada episódio é conduzido por um personagem, que fala em primeira pessoa sobre sua criação, seu pensamento e seu modo de estar no mundo. Ao todo, o novo universo Afronta! soma 52 episódios.
Afrontinha e Afronta! Nova Onda foram realizadas com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo do Estado de São Paulo. Afronta Indígena foi realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Spcine e da Prefeitura de São Paulo.
“O Afronta! sempre foi um espaço de escuta. Voltar com três novas séries é reconhecer que essa escuta precisa acompanhar quem vem chegando: as crianças, a nova juventude e os artistas indígenas que estão pensando o Brasil com liberdade e imaginando futuros com muita precisão. Estar entre as cinco séries da Première Brasil é uma celebração dessas potências”, afirma Juliana Vicente.
Janela de mercado
As novas edições do Afronta! ainda não têm plataforma de exibição definida. A Preta Portê Filmes participa do Festival do Rio e do Rio Market com o objetivo de firmar parcerias com players de streaming, TV e plataformas digitais interessados em levar as três séries ao público no Brasil e no exterior.
Uma década à frente
Em 2027, o Afronta! completará dez anos, e o tempo confirmou o que a série antecipou. Para marcar a data, Juliana Vicente desenvolve um projeto que reencontra personagens da primeira fase, hoje expoentes no Brasil e no exterior, como Liniker, Grace Passô, Gabriel Martins, Diane Lima e Tasha & Tracie, para pensar o que mudou no país, no mundo e na cultura negra nesse período, e para onde estamos indo. A produtora busca parceiros para a realização do projeto.
Projetos em andamento
Além do universo Afronta!, a Preta Portê Filmes tem outros projetos em andamento. Em fase de produção, a série A Copa das Favelas foi uma das selecionadas, no início deste ano, pelo edital Seleção TV Brasil, na linha Futebol Feminino, iniciativa da EBC voltada ao fomento do audiovisual brasileiro. Produzida pela Preta Portê, a série tem direção geral de Juliana Vicente e direção de Ale Pellegrino e dos Irmãos Carvalho, que também assinam o roteiro ao lado de Bárbara Velloso. Já Cores de Maio, longa-metragem de ficção de Juliana Vicente, se prepara para as filmagens no início de 2027.
As séries e os personagens
Afrontinha
Série documental infantojuvenil de curta duração, com 13 episódios, que investiga, a partir do olhar de crianças negras, questões fundamentais de identidade, pertencimento e construção do mundo contemporâneo.
Aiça Alcântara: aos 13 anos, carrega a força de uma família matriarcal de axé e a ancestralidade quilombola. Guiada pelos orixás e por uma certeza inabalável de propósito, sonha em ser atriz e neurocirurgiã.
Ryan Sacramento: aos 12 anos, o ator soteropolitano é campeão brasileiro de karatê. Leva a mesma força para o tatame, o palco e a vida, com a família como rede de apoio e os orixás como guia.
Wendy Queiroz: aos 11 anos, a rapper MC Gatinha Happy canta e atua. Estreou na série Os Quatro da Candelária e hoje inspira outras crianças a seguirem seus sonhos.
Afronta! Nova Onda
Série documental com 13 episódios que acompanha jovens negros em diferentes contextos urbanos, explorando as transformações, tensões e potências da juventude na contemporaneidade.
Kaique Brito: influenciador digital, escritor e ator baiano, conquistou a internet com humor afiado e crítica social certeira.
Cacá Nascimento: filha da Mangueira e do samba, canta desde criança, inspirada por Alcione, Gal Costa e Mariene de Castro. Brilhou no The Voice Brasil e fez história como uma das primeiras mulheres a cantar no carro de som da escola. Aos 17, sonha com o primeiro álbum.
Mc Ktrine: MC e funkeira desde os 12 anos, construiu uma trajetória autoral na música. Hoje, aos 23, também mãe, transforma cada verso em afirmação de quem escolheu ser.
Afronta Indígena
Série documental em duas temporadas de 13 episódios cada que conecta ancestralidade, território e identidade indígena no Brasil contemporâneo, revelando origens como experiência viva e em transformação.
Brisa Flow: artista multidisciplinar mapuche, atravessa música, performance e espiritualidade para reconstruir narrativas indígenas contemporâneas, que falam de ancestralidade, território, maternidade e futurismo indígena no hip hop.
Mapu Huni Kuin: cantor, ator, artista e liderança espiritual, une arte e ancestralidade, da criação ritualística à parceria musical com Alok. Transforma memória em linguagem contemporânea e afirma a potência viva dos povos originários.
