Uma corrida desesperada pela vida do filho que perde força conforme a história tenta ir longe demais.

Em Corrida Contra o Tempo, Maia Marten (Gal Gadot) parece ter a vida sob controle. Advogada brilhante, poderosa e acostumada a estar sempre alguns passos à frente, ela construiu uma carreira de sucesso no competitivo mundo jurídico de Londres. Mas toda essa segurança desaparece em questão de segundos quando, durante sua corrida matinal, recebe um telefonema que transforma sua rotina em um pesadelo: seu filho foi sequestrado.
As regras são simples e cruéis. Maia precisa continuar correndo, seguindo todas as instruções recebidas e não contar a ninguém o que está acontecendo. Qualquer tentativa de parar ou pedir ajuda pode custar a vida do garoto. E é justamente aí que o filme consegue criar seu melhor elemento: rapidamente somos jogados dentro da situação, praticamente no mesmo ponto de vista da protagonista.
Assim como Maia, não sabemos quem está por trás do sequestro, quais são suas reais intenções ou até onde aquela sequência de ordens pode chegar. A narrativa aproveita bem essa falta de informação para construir uma tensão inicial interessante. Cada nova instrução coloca a protagonista diante de uma situação mais complicada, obrigando-a a tomar decisões que vão contra aquilo que normalmente consideraria correto.
Esse aspecto também funciona para tirar Maia do lugar de mulher extremamente racional e controlada. As chantagens começam a colocá-la em situações moralmente questionáveis, e suas escolhas vão desencadeando novos problemas conforme a história avança. É nesse primeiro movimento que Corrida Contra o Tempo encontra seu melhor ritmo, utilizando a corrida não apenas como elemento físico, mas como uma espécie de contagem regressiva constante.

Gal Gadot, por sua vez, entrega uma atuação muito mais física do que dramática. A atriz funciona melhor quando precisa correr, lutar, escapar ou reagir rapidamente às situações impostas pelo sequestrador. O filme exige bastante fisicamente de sua protagonista, e Gadot consegue sustentar essa parte do trabalho, ainda que o roteiro não ofereça tantas oportunidades para aprofundar emocionalmente Maia.
O problema é que, conforme a trama avança, o filme começa a abandonar justamente aquilo que inicialmente funcionava. O suspense mais próximo da realidade dá lugar a situações cada vez mais exageradas, e algumas decisões passam a exigir uma suspensão de descrença grande demais. Aquilo que poderia funcionar como um thriller mais “pé no chão” começa a assumir proporções que não combinam muito com a proposta inicial.
A estrutura também começa a se perder nesse processo. Em vez de ampliar a tensão de maneira orgânica, o roteiro parece constantemente procurar uma forma de aumentar o tamanho do problema, fazendo com que algumas situações soem mais convenientes para a narrativa do que realmente plausíveis. O resultado é uma história que começa relativamente contida e termina exagerando justamente na tentativa de manter o espectador preso.
Outro ponto que prejudica o longa está nos personagens ao redor de Maia. Poucos conseguem realmente deixar uma marca, fazendo com que boa parte da responsabilidade recaia exclusivamente sobre Gal Gadot. O próprio vilão sofre com isso. Sua presença é bastante limitada e, quando suas ações começam a ser reveladas, alguns erros cometidos durante o processo entram em conflito com a imagem de alguém que aparentemente planejou tudo com extremo cuidado.

Isso acaba enfraquecendo a ameaça. Para um suspense baseado na ideia de que existe alguém controlando cada movimento da protagonista, seria importante que o antagonista transmitisse uma sensação maior de inteligência e domínio da situação. Quando suas decisões começam a parecer menos eficientes do que deveriam, parte da tensão construída anteriormente desaparece.
Corrida Contra o Tempo não chega a ser um suspense completamente perdido. Seus primeiros atos têm uma premissa eficiente, uma protagonista colocada em uma situação extrema e uma dinâmica que consegue nos fazer acompanhar seus passos com curiosidade. O problema é que o longa parece não confiar na própria ideia e sente a necessidade de transformar cada nova etapa em algo maior e mais absurdo.
*Filme disponível no Prime Video
Nota: 2/5
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