Criada ao longo de 5 anos, a peça é inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse e narra a jornada interna do protagonista em busca de si mesmo. Espetáculo comemora 2 anos em cartaz e chega, pela primeira vez, na capital paulista

A vida e a iluminação de Buda são o ponto de partida para a criação do solo Sidarta, do ator e diretor Angel Ferreira, que celebra dois anos em cartaz com este trabalho. O espetáculo estreia em São Paulo no Teatro Estúdio, de 8 a 31 de agosto, com apresentações aos sábados e domingos, às 17h, com sessões extras às segundas, 20h.
A peça, ambientada na Índia no período de vida do Buda histórico, é livremente inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, que narra, de forma ficcional, uma viagem que o próprio autor realizou em sua juventude, abarcando temas de valor existencial e mergulhos na ambiguidade entre os pólos sagrado-profano, sucesso-fracasso, prazer-privação, solidão-pertencimento.
Nesta história, acompanhamos Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte.
Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e aprofundam sua subjetividade.
Sobre essa jornada interior em busca da essência, Angel Ferreira comenta: “Quando a gente põe em perspectiva o nosso tempo de vida, a efemeridade de tudo, não faz sentido basear a vida numa busca distraída por sucesso, bens, poder. Gosto do conforto, e não sou um asceta, como os samanas da floresta que o Sidarta encontra. Se libertar do materialismo pra mim não é sobre abdicar e renunciar a vida material, ao mundo dos objetos e da relação com as coisas, pra mim é sobre aprender a brincar com elas, mas sem ficar obcecado, sem se viciar nesse jogo. Então, a peça me ensina a pensar e escolher quais hábitos me centram e me trazem calma. Como o trabalho é bastante físico, ele me convida a ter uma vida amorosamente disciplinada, com alongamento, fortalecimento, meditação – e se eu não faço eu me machuco em cena”.
Angel também destaca a relação da peça com temas atuais e urgentes, principalmente os ambientais. “Quando eu penso que nós vivemos num mundo em colapso climático, no qual o negacionismo encontra força justamente no fato de que deixamos de conviver com as árvores, os bichos, as águas limpas, fazer uma peça que conta a história de uma pessoa que encontra a paz se dedicando a ouvir a voz do rio, me encanta! Isso pra mim é urgente de ser trabalhado nas artes. Uma nova compreensão da centralidade da natureza nas nossas vidas”, acrescenta.
Preparado ao longo de cinco anos, o espetáculo narra a jornada do protagonista em busca de si mesmo, em uma apresentação que mescla narrador, personagens e ator a partir de uma montagem minimalista, com colaboração na direção de Beth Martins (Intrépida Trupe) e Renato Livera (Shell 2026 de Melhor Ator). Livera também é responsável pela iluminação da peça, ao lado de João Gioia, com quem foi indicado ao Prêmio Shell 2025 na categoria Iluminação.
“‘Sidarta’ é um desses projetos que te chamam para algo a mais do que a criatividade artística puramente dita. É um chamado também espiritual. Foi assim que recebi o convite do Angel Ferreira para estar junto. E como a espiritualidade está ligada a um movimento interno de conexão que vai para além de nós mesmos, entendemos que o resultado que tivemos com a iluminação seguiu o princípio desse sopro, dessa troca, da escuta e da generosidade. É uma luz muito simples, mas ela habita e dá lugar à imensidão da história contada. Isso foi reconhecido e resultou na indicação, a qual agradeço imensamente ao Angel, ao João Gioia e à Thatyane Calandrini. Sem esse coletivo inspirado e inspirador, nada disso teria acontecido”, comenta Livera.
Serviço
Sidarta, com Angel Ferreira
Temporada: 8 a 31 de agosto de 2026
Sábados e domingos, às 17h
Segundas, às 20h
Teatro Estúdio – R. Conselheiro Nébias, 891 – Campos Elíseos
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
Vendas online em https://site.bileto.sympla.com.br/teatroestudio/
Bilheteria: segunda a sábado, a partir das 17h; e aos domingos, a partir das 15h
Serviço de Vallet com Estacionamento no local (a partir de 1h30 antes do início do espetáculo).
Duração: 120 min
Capacidade: 112 lugares
Classificação: 18 anos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.