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A Fortuna de Escobar | Crítica

Thriller aposta na busca pela fortuna de Pablo Escobar, mas entrega uma aventura simples e sem grandes riscos.

A lenda de que Pablo Escobar teria escondido milhões de dólares em algum lugar da floresta colombiana já alimentou inúmeras histórias ao longo dos anos. Em A Fortuna de Escobar, dirigido por Orit Share, esse mito serve como combustível para um thriller de caça ao tesouro que aposta muito mais no entretenimento do que em qualquer aprofundamento sobre seus personagens ou sobre o próprio legado do narcotraficante. A proposta é clara desde o início: acompanhar um grupo disposto a tudo para colocar as mãos em uma fortuna que, três décadas depois da morte de Escobar, ainda desperta cobiça.

O roteiro acompanha Avi Haddad (Zohar Liba), líder de uma organização criminosa em Miami, que reúne uma equipe para localizar o suposto esconderijo do dinheiro. A dinâmica entre os integrantes funciona razoavelmente bem, principalmente porque o filme dedica alguns momentos para apresentar as motivações de cada um. Ainda que rápidas, essas explicações ajudam a dar um pouco mais de identidade ao grupo, evitando que todos existam apenas para cumprir funções dentro da missão.

Curiosamente, esse acaba sendo um dos aspectos mais interessantes da produção. Enquanto a busca pela fortuna deveria ser o grande motor da narrativa, o filme frequentemente desvia seu foco para conflitos internos e pequenas histórias pessoais. A intenção de humanizar os personagens é válida, mas a execução faz com que o objetivo principal perca força em diversos momentos. O resultado é uma aventura que parece caminhar sem muita urgência, mesmo quando tenta transmitir a sensação de perigo constante.

Também chama atenção o quanto a trama prefere jogar no seguro. Não há grandes reviravoltas, sequências de ação memoráveis ou momentos de tensão capazes de realmente surpreender. Tudo acontece de maneira bastante direta, sem muitas camadas ou complexidade. Isso não chega a comprometer a experiência, mas faz com que o filme tenha dificuldade em se destacar dentro de um gênero que costuma depender justamente de suspense e imprevisibilidade.

Ao mesmo tempo, talvez essa simplicidade seja exatamente o que a produção procura oferecer. O filme nunca demonstra interesse em construir um grande estudo sobre ganância, poder ou as consequências do império de Escobar. Seu objetivo parece ser apenas entregar uma aventura acessível, com personagens minimamente desenvolvidos e uma busca incessante por dinheiro. Dentro dessa proposta, consegue entreter durante boa parte da duração, mesmo sem deixar grandes lembranças depois dos créditos finais.

Temos um thriller funcional, que cumpre seu papel como passatempo, mas dificilmente será lembrado por algo específico. É uma produção que diverte enquanto dura, apresenta motivações convincentes para seus personagens secundários e mantém uma narrativa fácil de acompanhar. Ainda assim, falta personalidade para transformar uma premissa tão curiosa em algo realmente marcante. Para quem procura apenas um entretenimento descompromissado, a experiência funciona. Para quem espera algo além disso, provavelmente sairá com a sensação de que havia potencial para muito mais.

*Filme disponível no Adrenalina Pura a partir de 2 de julho

Nota: 2/5

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