Mostra reúne 115 peças históricas e experiências interativas para contar como os videogames se tornaram uma das principais linguagens culturais do século XXI, percorrendo mais de 50 anos de história.

Farol Santander São Paulo apresentará a exposição Player 1, em sua galeria do andar 22, de 19 de junho a 20 de setembro, para contar a história dos videogames. Com curadoria de Antonio Curti e direção de Felipe Sztutman, a mostra reúne 115 peças históricas do acervo de Alex Mamed, o maior colecionador de videogames do Brasil, para apresentar uma linha do tempo que percorre mais de cinco décadas de evolução tecnológica e criatividade.
“Ao receber esta exposição, o Farol Santander reafirma seu compromisso com projetos culturais inovadores, que ampliam repertórios, aproximam públicos diversos e promovem experiências relevantes para o nosso tempo. É com grande entusiasmo que abrimos espaço para uma mostra que celebra a potência criativa da cultura digital e suas variadas conexões”, comenta Bibiana Berg, head sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social do Santander Brasil.
Organizada em cinco núcleos expositivos, a exposição acompanha a trajetória dos videogames desde os primeiros sistemas domésticos dos anos 1970 até as experiências contemporâneas baseadas em realidade virtual, conectividade permanente e novas formas de interação. Desta forma, Player 1 revela como os videogames acompanharam e, por vezes, anteciparam, transformações que hoje fazem parte da vida cotidiana, incluindo a linguagem cultural. Ao longo de cinco décadas, os games deixaram de ser uma curiosidade tecnológica para ocupar um espaço central na produção audiovisual, no design, na arte digital e no entretenimento.
Estão reunidas na amostra 53 consoles domésticos, 23 videogames portáteis, 29 acessórios e controles, sete mini consoles e três itens únicos.
“Quando pensamos em videogames, normalmente pensamos nos jogos. Mas existe uma história fascinante por trás deles: a história das máquinas, das ideias e das pessoas que imaginaram novas formas de interação muito antes de elas se tornarem parte do cotidiano. Esta exposição nasce desse olhar. Cada peça apresentada aqui representa uma tentativa de expandir os limites da experiência humana por meio da tecnologia”, afirma Antonio Curti, curador da exposição.
Acervo que preserva a memória dos videogames
O ponto de partida da exposição é o trabalho de preservação desenvolvido por Alex Mamed ao longo de quase três décadas. O que começou como a decisão de guardar os videogames que marcaram sua infância transformou-se em um dos mais importantes acervos dedicados à história dos games no Brasil. Com isso, Mamed foi reconhecido por sete anos consecutivos como o maior colecionador do País, reunindo milhares de itens que documentam diferentes momentos da indústria, preservando desde aparelhos amplamente conhecidos até equipamentos raros, experimentais ou produzidos em pequena escala. Seu acervo tornouse referência para pesquisadores, veículos especializados, eventos e iniciativas dedicadas à preservação da memória dos videogames.
“Grande parte da minha vida foi dedicada a encontrar, restaurar e preservar esses equipamentos. Ver uma seleção desse acervo reunida em uma exposição como Player 1 é uma forma de compartilhar essa memória com o público e mostrar que os videogames também fazem parte da nossa história cultural”, afirma Alex Mamed.
Cinco décadas de inovação
Ao longo do percurso, o visitante encontra alguns dos equipamentos mais importantes da história dos videogames. Do Magnavox Odyssey, lançado em 1972 e considerado o primeiro console doméstico do mundo, ao Nintendo Switch 2, apresentado em 2025, a exposição reúne aparelhos que ajudaram a definir diferentes gerações de jogadores. Entre eles estão o Atari 2600, Nintendo Entertainment System (NES), Super Nintendo, Mega Drive, PlayStation, Nintendo 64, Dreamcast, Xbox, Nintendo Wii e PlayStation 5.
O percurso também evidencia como diferentes empresas buscaram responder aos desafios tecnológicos de cada época, impulsionando avanços relacionados a processamento gráfico, conectividade, armazenamento de dados, interfaces de controle e experiências imersivas que influenciam a indústria até hoje.
A revolução dos portáteis e das novas formas de jogar
A evolução dos videogames portáteis ocupa um espaço próprio na exposição. Do pioneiro
Game & Watch ao Game Boy, passando por PSP, Nintendo DS, PS Vita, Steam Deck e PlayStation Portal, o núcleo revela como os games deixaram de estar associados a um espaço físico específico para acompanhar seus usuários em qualquer lugar.
A mostra também dedica atenção especial aos acessórios e periféricos que transformaram a forma de interação entre jogadores e máquinas. Entre eles estão itens icônicos como o robô R.O.B., a futurista Power Glove, os bongôs de Donkey Konga, a guitarra de Guitar Hero, o sensor de movimento Kinect e o Microsoft Adaptive Controller, considerado um marco na ampliação da acessibilidade nos videogames.
Ao lado deles, mini consoles e dispositivos comemorativos ajudam a contar como a memória afetiva se tornou parte importante da cultura gamer, estimulando iniciativas de preservação e revisitação de diferentes períodos desta história.
Raridades, experimentos e peças cultuadas
Um dos diferenciais de Player 1 está na presença de objetos raramente vistos mesmo em exposições especializadas. Além dos grandes sucessos comerciais, a mostra apresenta projetos experimentais, tecnologias que chegaram antes de seu tempo e equipamentos que se tornaram verdadeiros objetos de culto entre colecionadores. É o caso do Nintendo Hotel System, criado para permitir que hóspedes de hotéis japoneses alugassem jogos diretamente em seus quartos; do Super Famicom Naizou TV SF1, que integrava videogame e televisão em um único aparelho; e do Divers 2000 CX-1, um híbrido de televisão, Dreamcast e sistema de áudio cujo design futurista o transformou em uma das peças mais emblemáticas do colecionismo internacional.
A exposição também apresenta equipamentos como o Virtual Boy, pioneira experiência tridimensional desenvolvida pela Nintendo; o Apple Pippin, resultado da breve incursão da Apple no mercado de videogames; e o Zeebo, desenvolvido no Brasil e considerado um dos projetos mais ousados da história da indústria nacional.
Lançado em 2009 pela Tectoy em parceria com a Qualcomm, o Zeebo apostava na distribuição digital de jogos por meio de redes móveis em uma época em que downloads ainda não haviam se consolidado como padrão da indústria. Hoje, é visto como um dos exemplos mais interessantes da capacidade de inovação do setor brasileiro de tecnologia e entretenimento.
Interatividade e experiências inéditas
Além dos objetos históricos, Player 1 incorpora experiências interativas desenvolvidas especialmente pela AYA Studio.
Na instalação RUSH, quatro televisores de tubo empilhados apresentam desafios inspirados em mecânicas clássicas dos videogames. O visitante precisa completar todas as etapas no menor tempo possível, em uma experiência que homenageia a cultura competitiva dos speedrunners e o espírito dos jogos retrô.
Já o game DRIFT, é uma experiência corporal em que o visitante controla, com o próprio movimento, um jogo projetado no espaço. Inspirado no gesto simples dos videogames clássicos, o trabalho transforma deslocamentos laterais e abertura dos braços em ação de jogo. Blocos, colisões e especiais acumulados desenham uma coreografia entre corpo, imagem e máquina. Entre arcade e instalação interativa, DRIFT recoloca o videogame como presença física, coletiva e performativa.
Toda a ambientação da mostra foi concebida a partir de elementos associados ao universo dos videogames, utilizando iluminação em LED, contrastes cromáticos e identidades visuais específicas para cada núcleo expositivo.
Serviço – Exposição Player 1
Local: Farol Santander – Andar 22
Endereço: Rua João Brícola, 24 – Centro, São Paulo
Período: 19 de junho a 20 de setembro
Horário de Visitação: terça a domingo / 09h às 20h
Ingressos: R$ 45,00 (inteira) / R$ 22,50 (meia)
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