O passado encontra o presente em uma sequência que sabe onde pisa.

Chegar aos cinemas duas décadas depois de um clássico não é tarefa simples, e O Diabo Veste Prada 2 sabe disso. Cercado de expectativa, o filme aposta no reencontro de grande parte do elenco original para revisitar um universo que, assim como o próprio mundo da moda e da comunicação, precisou se reinventar ao longo do tempo.
O Diabo Veste Prada 2 traz de volta Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci em uma história que mistura nostalgia com conflitos bastante atuais. A ausência de Gisele Bündchen é sentida, mas não chega a comprometer o conjunto.
Desta vez, as personagens surgem mais maduras, e inseridas em um cenário bem diferente daquele de 2006. Miranda (Meryl) enfrenta o declínio da mídia impressa ao mesmo tempo em que lida com as pressões e ameaças do ambiente digital, incluindo o temido “cancelamento”. Ao seu redor, tudo parece exigir adaptação, inclusive suas próprias certezas.
Nesse contexto, Andy (Anne), agora uma jornalista experiente, retorna para ajudar na tentativa de revitalizar a revista Runway, enquanto Miranda entra em rota de colisão com Emily Charlton (Blunt), que deixou de ser assistente para se tornar uma executiva influente no mundo da moda. O filme encontra seu principal conflito justamente nesse embate de gerações, trajetórias e visões de mercado.

O roteiro acerta ao ir além do universo fashion e explorar também as transformações do jornalismo, criando um diálogo interessante entre passado e presente. Ao mesmo tempo, mantém referências constantes ao filme original, funcionando quase como um aceno direto aos fãs, às vezes eficiente, outras um pouco dependente demais da nostalgia.
A vida pessoal das personagens aparece de forma superficial, quase protocolar, sem grande impacto narrativo. Ainda assim, alguns momentos se destacam, especialmente com a participação de Justin Theroux, que traz leveza e bons toques de humor à trama.
O elenco se expande com nomes como Simone Ashley, Lucy Liu, Caleb Hearon e Patrick Brammall, além de uma participação musical especial de Lady Gaga. A trilha sonora funciona muito bem ao longo do filme, e o figurino (como esperado) é um espetáculo à parte, reafirmando a identidade visual marcante da franquia.
Com um elenco afiado, roteiro seguro e direção eficiente, O Diabo Veste Prada 2 entrega exatamente o que promete: uma continuação que entende o peso do original, mas tenta dialogar com um novo tempo. Nem sempre se arrisca além do esperado, mas acerta ao atualizar seu discurso sem perder sua essência.
Nota: 4/5
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