Com direção de Ligia Walper e rodado em Florianópolis, longa-metragem explora o universo fantástico e o terror para retratar as lendas e mitos da Ilha da Magia.

Prepare-se para se deparar com bruxas, monstros e serial killers em Edifício Bonfim. Totalmente rodado em Florianópolis, o filme explora o universo fantástico e o terror para retratar as lendas e mitos da chamada Ilha da Magia. O título vai estrear no dia 7 de maio em salas de exibição da capital catarinense, de Porto Alegre, São Paulo e do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, a premiada montadora e produtora Ligia Walper (deNetto Perde sua Alma e Brizola — Tempos de Luta) irá assinar a direção de um longa-metragem realizado para os cinemas. A produção ganhou os prêmios de melhor filme brasileiro e melhor atriz (Gabi Petry) no Djanho Fantástico Festival Internacional de Cinema de Curitiba, um dos principais do gênero no país, em 2025.
Na tela, três narrativas — Criatura, Trilha da Costa e Formando — se entrecruzam num clima amedrontador e estranho, com nuances de policial, drama e comédia. A unidade da trama se dá por meio da circulação de personagens de uma história dentro da outra, uma vez que todos vivem no mesmo prédio, que dá nome ao filme. Após uma reunião de condomínio, moradores passam a se envolver em episódios macabros, ataques e mortes na cidade. Há quem se torne vítima ou revele ser um vilão.
Edifício Bonfim utiliza elementos inusitados, incomuns e sobrenaturais misturando realidade, fantasia e sonho, permitindo assim que a perplexidade invada o espectador, abrindo sua imaginação para o encontro com o bizarro. Destaco que mergulhamos no universo catalogado pelo professor Franklin Cascaes, antropólogo, pesquisador e artista catarinense, que retratava, por meio de desenhos, narrativas e esculturas, a imaginação dos habitantes de Florianópolis com crenças, lendas e superstições herdadas de gerações passadas. O filme se situa no gênero fantástico, em expansão nas telas brasileiras. Só pra lembrar, sempre tem um filme de terror em cartaz, nos cinemas e streamings, vide Welcome to Derry e A hora do mal(Weapons), recentemente premiado no Oscar — explica Ligia Walper.
Finalizado por Tabajara Ruas (diretor de Netto Perde sua Alma e Os Senhores da Guerra), o roteiro é uma construção urbana elaborada pelos escritores especializados em histórias de mistério, horror e suspense Duda Falcão e Cesar Alcázar, ambos gaúchos, e o americano Christopher Kastensmidt. O longa também oferece uma viagem sensorial a uma das mais lindas capitais brasileiras. Imagens áreas revelam detalhes de cartões-postais de Florianópolis, como a Lagoa da Conceição, a Ponte Hercílio Luz e a Praia de Itaguaçu. A metrópole do sul do país se integra às histórias, tornando-se um dos protagonistas do filme, seja lindamente iluminada à noite ou marcada pela natureza exuberante durante o dia. Tudo embalado pela trilha sonora contagiante de Carlos Trilha e Murilo Valente com músicas da banda Dazaranha.
—Trazer as histórias que ouvimos há tantos anos para as telas foi um exercício cinematográfico diferente dos filmes anteriores que realizamos, a maioria com cunho histórico no pano de fundo. Desta vez, fiz questão que a paisagem também funcionasse como um personagem, para mostrar que mesmo num lugar tão idilicamente belo, o terror pode se esconder onde menos se espera — comenta a diretora.
No elenco, destacam-se Gabi Petry (do longa-metragem iraniano Texas, da minissérie Passaporte para a Liberdade, da TV Globo, e das novelas Carinha de Anjo e As Aventuras de Poliana, do SBT), Vinícius Wester (das novelas Malhação — Viva a Diferença e Verdades Secretas 2, da TV Globo), Sandro Maquel, Welington Moraes, Sarah Motta, Matteo Mazzon, Sérgio Barreto, Giwa Coppola, Gringo Star e Eliane Carpes, entre outros.
A equipe também reúne a família de cineastas que compõem a Walper Ruas Produções, realizadora do filme. Tomás Walper Ruas, filho de Ligia, assina a codireção, montagem e edição. Já o cineasta Tabajara Ruas, marido da diretora, é roteirista e produtor da obra. A distribuição é da Panda Filmes. O projeto foi contemplado pelo Edital do Prêmio Catarinense de Cinema/FCC, em 2019, em arranjo com o Fundo Setorial Audiovisual/BRDE e Ancine.