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Resident Evil Survival Unit | Primeiras Impressões

Um retorno ao terror clássico, mas ainda preso a uma demo curta demais para revelar seu potencial.

Resident Evil Survival Unit é um daqueles projetos que tenta puxar a franquia de volta para uma lembrança específica: o terror metódico e lento dos primeiros jogos. A proposta é clara já nos primeiros minutos: narrativa que remete aos clássicos, corredores estreitos, arquivos espalhados e aquela sensação de que cada passo pode ser um problema. Mesmo rodando em celulares, dá para reconhecer facilmente ecos de Resident Evil 1, 2 e 3, com cenários que parecem pedir que o jogador revisite mentalmente as antigas delegacias, laboratórios e hospitais decadentes. A direção visual assume esse passado como guia, com modelagens simples, mas atualizadas o bastante para os aparelhos atuais. Não é algo impressionante, e nem tenta ser; a ideia aqui é imersão e familiaridade.

A jogabilidade segue exatamente esse espírito. Movimentação contida, inventário limitado, puzzles para abrir portas, acessar salas e desbloquear caminhos. E, claro, o gerenciamento contínuo de munição. O ponto interessante está no sistema de turnos quando há mais de um personagem na tela, permitindo controlar todos os envolvidos no combate contra os zumbis. Isso cria pequenos momentos de estratégia, quase como um xadrez improvisado em corredores apertados. É uma adaptação curiosa para celular, respeitando a plataforma e escolhendo simplificar sem transformar tudo em um “tapa na tela”.

Mas a experiência de testá-lo na BGS 2025 não foi das mais inspiradoras. A demo apresentada era curta demais, com avisos claros de conteúdo bloqueado e fases interrompidas antes de chegarem a algum clímax. Além disso, vários personagens usados no próprio material de divulgação do evento não estavam disponíveis na demonstração. O teste acabou virando mais um vislumbre do que o jogo quer ser, do que de fato uma experiência completa. Dá para entender o conceito, a ambientação e a direção, mas pouco se sente da curva real de jogo, do peso da progressão ou do envolvimento da narrativa.

Testei apenas alguns minutos, em dois segmentos distintos, e ainda é cedo para dizer o quanto esse projeto consegue sustentar o que promete. Há boas intenções aqui: um retorno ao horror clássico, um ritmo cadenciado, um diálogo consciente com a memória afetiva da franquia. Mas a demonstração, como foi apresentada, deixou a sensação de algo fragmentado, quase como olhar um quebra-cabeça sem ter todas as peças na mesa.

*Demo testada durante a BGS 2025

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