Cores, ação e trabalho em equipe: o indie que transforma o “capture a bandeira” em algo realmente divertido.

Em Last Flag, a proposta é clara: um jogo de ação em equipe no estilo capture a bandeira, mas com um toque de estratégia e ritmo intenso. São dois times, quatro jogadores de cada lado, disputando não apenas o controle da bandeira, mas também três torres espalhadas pelo mapa. Cada torre conquistada se transforma em um ponto de recuperação e de apoio, funcionando quase como um checkpoint tático dentro da arena. É um sistema que adiciona camadas à jogabilidade, incentivando o jogador a pensar em domínio de território e não apenas em combate direto.
O que mais chama atenção logo de início é o visual. O jogo combina um 3D impressionante com um estilo cartunesco que dá personalidade à experiência. Os cenários são ricos em detalhes e possuem pontos interativos que ajudam o jogador conforme a partida avança. Cada personagem tem um visual próprio, com habilidades únicas, estilos de luta distintos e até mesmo expressões de nacionalidade — incluindo uma personagem brasileira que fala português durante o jogo, o que traz uma leve e divertida identificação. Essa atenção aos detalhes reforça o cuidado dos desenvolvedores com o universo e com o carisma das figuras jogáveis.
A jogabilidade é acessível e direta. Poucos botões, respostas rápidas e uma interface que favorece tanto novatos quanto quem já está acostumado com o gênero. O sistema de habilidades, três por personagem, pode ser aprimorado com o dinheiro coletado ao eliminar os “cashbots” espalhados pelo cenário. Esse ciclo de progresso dentro da própria partida mantém o ritmo dinâmico e oferece pequenas recompensas constantes. Além disso, o jogo tem um interessante recurso de troca rápida de personagens e atualização de equipamentos, tudo feito de forma simples e intuitiva, sem pausas longas ou menus confusos — o que é essencial em um título competitivo.

Há também um senso de intensidade crescente: conforme o tempo passa e as equipes avançam, o campo de batalha muda. As cores do mapa revelam o domínio de cada time e indicam visualmente onde a bandeira pode estar. Se a partida não termina dentro do tempo padrão, entra em cena o modo “deathmatch”, em que a bandeira tem sua localização revelada e o tempo de retorno dos jogadores abatidos diminui — uma decisão inteligente que evita empates longos e mantém o jogo sempre em movimento.
Durante o teste, ficou clara a ambição do projeto. Last Flag quer ser divertido, competitivo e acessível, e consegue equilibrar bem esses três pilares. A sensação de controle é fluida, e a leitura do espaço dentro do mapa é fácil, o que ajuda a manter a experiência visualmente limpa mesmo nos momentos mais caóticos. O ritmo é bem medido, e há espaço para estratégias e jogadas em equipe — algo essencial em jogos desse tipo.
No entanto, há um ponto que ainda precisa de refinamento: a sensação de diferença entre os personagens. Apesar das habilidades distintas, em combate prático apenas duas variações de estilo se destacam — as lutas de curta distância e os ataques à distância. Falta uma camada mais clara de diferenciação que estimule a criação de estratégias baseadas em composição de equipe, e não apenas em preferência individual. Essa limitação, por ora, torna o jogo mais divertido em partidas rápidas do que em disputas longas ou ranqueadas.

Mesmo assim, Last Flag é um projeto promissor. Seu equilíbrio entre visual vibrante, gameplay rápido e um sistema de progressão leve mostra que há um bom entendimento do público que ele quer atingir. A demo apresentada na BGS 2025 foi suficiente para mostrar o potencial de um título indie que, se mantiver o ritmo e investir em variedade de classes e modos, pode se destacar facilmente entre os multiplayer competitivos mais casuais.
Demo jogada na BGS 2025 na área indie
Last Flag está atualmente sendo desenvolvido para PC (Windows), no Steam e na Epic Games Store. Versões para consoles também estão em desenvolvimento.
Nota: 4/5
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