Cores, impacto e emoção em um drama de sobrevivência que corre mais do que deveria.
Em A Única Sobrevivente, acompanhamos uma narrativa inspirada em fatos reais que encontra força na protagonista interpretada por Nadezhda Kaleganova, a única sobrevivente de um acidente aéreo na Rússia, ela sobreviveu a uma queda de 5.220 metros após a colisão de seu avião com um bombardeiro soviético em 1981,o próprio governo soviético tentou esconder o incidente, tornando-o pouco conhecido na época, porém essa história impactante, tropeça na própria pressa.
O filme utiliza um filtro amarelo para demarcar a linha temporal principal, mudando para outras tonalidades nas lembranças, criando uma separação visual clara e eficiente. Essas escolhas de cor, junto às cenas de sobrevivência, dão ao espectador uma sensação de urgência e fragilidade que se alinha bem com o drama vivido.
O longa acerta ao trabalhar a empatia desde cedo: ao apresentar a relação da protagonista com o marido em flashbacks, e ao dedicar tempo para lembrar os outros ocupantes do voo que não sobreviveram, há um peso humano que evita que a história se torne apenas mais um relato de tragédia. Maquiagem e cenários aparecem com um realismo incômodo, reforçando a dureza da experiência, há imagens que não suavizam o impacto, mostrando corpos, sangue e o sofrimento físico da personagem na luta pela vida.

Por outro lado, a narrativa sofre com excesso de subtramas que nem sempre se conectam de forma orgânica. Os cortes secos quebram a fluidez e comprometem a linearidade, o que, em um filme baseado em uma história real, reduz o impacto da jornada. A aceleração dos acontecimentos e o ritmo irregular criam a sensação de que o filme está sempre correndo, quando a própria trama merecia mais respiros para aprofundar cada momento.
No fim, A Única Sobrevivente é uma obra que emociona e impressiona visualmente, mas que poderia ser mais envolvente se tivesse dado à própria história o tempo que ela pede. Entre a força das imagens e as fragilidades do roteiro, o resultado é um drama de sobrevivência que chama atenção, mas deixa o espectador imaginando o que poderia ter sido se o caminho tivesse sido mais lento e cuidadoso.
Nota: 2/5
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