Cinema, Crítica de Filme

O Exorcista: O Devoto | Crítica

O filme oferece uma jornada intensa com o terror sobrenatural do exorcista, mesmo não se aproximando da trama do clássico original. Confira a crítica completa.

Angela Fielding (Lidya Jewett)

Dirigido por David Gordon Green (Halloween), O Exorcista: O Devoto, a sequência do clássico O Exorcista, não agradou tanto o agregador de críticas, rotten tomatoes, recebendo apenas 26% de aprovação, e já se tornou polêmico por conta da nota.

Embora o filme fuja da história que estamos acostumados da franquia, ele ainda resgata alguns elementos do longa de 1973 e conta com atuações de Ellen Burstyn e Linda Blair, ainda nos seus antigos papéis de Regan MacNeil e Chris MacNeil, respectivamente.

A trama acompanha a história de Angela (Lidya Jewett) e Katherine (Olivia O’Neill), são duas amigas de 13 anos que decidem entrar em uma floresta e realizar um ritual onde Angela poderá se conectar com a mãe através do mundo dos mortos. Elas voltam três dias depois, estão diferentes, mais agressivas e coisas estranhas começam a acontecer. 

Victor Fielding (Leslie Odom, Jr.) e Chris MacNeil (Ellen Burstyn)

Após a família das garotas perceberem que algo não está certo e vão em busca de ajuda psiquiátrica. A mãe de Katherine (Jennifer Nettles) começa a suspeitar que pode se tratar de algo religioso, porém, o pai de Angela (Leslie Odom Jr.) é um homem cético e só começa a crer após conviver com sua filha situações inesperadas para sua idade; Ao pesquisar sobre exorcismos o pai de Angela vai atrás de Chris MacNeil, que após o que ocorreu com sua filha Regan, vira especialista em exorcismo.

Um dos maiores destaques do filme é o seu enredo bem construído e envolvente, que segue uma abordagem humanizada do exorcismo, explorando as crenças espirituais e os desafios enfrentados pelos protagonistas. Inclusive, o filme apresenta as religiões africanas, católicas e evangélicas unidas na tentativa de realizar o exorcismo. Isso adiciona uma camada adicional de profundidade à narrativa, permitindo que os espectadores se conectem emocionalmente com os personagens.

O desenvolvimento dos personagens é intenso. A maneira como são exploradas as angústias e conflitos internos dos protagonistas cria uma sensação de empatia com suas lutas e medos, o que deixa o espectador  torcer pelas meninas, pois diferente do longa antigo, a igreja católica se recusa a ajudar, por ser perigoso demais, ou seja, não há uma figura de um padre com um personagem importante ou relevante para a história. 

(Angela Fielding (Lidya Jewett) e Katherine (Olivia Marcum)

Visualmente, O Exorcista: O Devoto  impressiona. A direção escolheu cuidadosamente a iluminação e a maquiagem para criar uma atmosfera de tensão constante. A excelente combinação desses elementos contribui para a criação de cenas verdadeiramente assustadoras e perturbadoras, que permanecerão na memória dos espectadores por muito tempo.

A trilha sonora recebe o mesmo nível de detalhismo. Composta de forma eficiente, as músicas e os efeitos sonoros aumentam a imersão na história, amplificando a sensação de desconforto e suspense que permeiam todo o filme. Cada nota musical está sincronizada com as imagens, intensificando o impacto emocional de cada momento, inclusive, trazendo a clássica trilha do original de volta à tela em diversos momentos.

Embora o filme tenha um começo arrastado e pareça ser apenas um filme de terror genérico, conforme a história avança, deixa o espectador aflito e curioso, nos relembrando do clássico, porém foca em atos de fé do que um exorcismo de fato.O Exorcista: O Devoto não é uma continuação direta do original, mas sabe inovar e agregar novos elementos à franquia com direito a leves pontos de nostalgia. A produção conseguiu capturar a essência do terror psicológico e espiritual marcante da história, e apesar de não ter tantos jumps scares, ele consegue agradar com a sua narrativa.

Nota: 4/5

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Um comentário em “O Exorcista: O Devoto | Crítica”

  1. Interessantíssimo o seu ponto de vista nesse filme. Admito que eu discordo bastante, mas é mega interessante ver um outro olhar de um filme no qual eu achei péssimo e que só duas coisas funcionam, a atuação do núcleo das meninas e a maquiagem (que realmente é bem feita).

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