Cinema

Jair Rodrigues: Deixa que Digam | Entrevista Rubens Rewald

A história de Jair Rodrigues se mistura com a história cultural do Brasil comenta Rubens Edwald, diretor de Jair Rodrigues: Deixa Que Digam, que está em exibição nos cinemas.

Você tem que ir balanceando, mostrando as diferentes facetas dele, mostrar o Jair Rodrigues grande intérprete, concentrado, cantando, mas também tem aquele Jair Rodrigues, pândego, palhaço, bagunçando tudo, comenta Rubens Rewald (@rubensrewald ) diretor de Jair Rodrigues: Deixa que Digam

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O filme, produzido pela Confeitaria de Cinema, traz imagens de arquivo e entrevistas com personalidades como Rappin’ Hood, Salloma Salomão, Raul Gil, Roberta Miranda, Bruno Baronetti, Hermeto Pascoal, Moisés da Rocha, Armando Pittigliani, Mister Sam, Theo de Barros, Simoninha, Solano Ribeiro, Carlinhos Creck, Paulinho Dafilin, Marcelo Maita, Giba Favery e Zuza Homem de Mello – em um dos últimos registros do musicólogo, falecido em 2020. Os filhos do cantor, Luciana Mello e Jair Oliveira, seu irmão Jairo Rodrigues e sua esposa, Claudine Rodrigues, também compartilham lembranças vividas ao seu lado. À convite do diretor, Jairzinho interpreta seu pai em diversas passagens importantes e reflexivas do documentário.

O longa caminha entre momentos marcantes de Jair como apresentador no programa “Fino da Bossa”, ao lado de Elis Regina; a interpretação da música “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros; à sua liberdade artística em meio à ditadura militar, quando dava a parecer não se posicionar sobre política e não falar sobre racismo: “Jairzão não era um artista que se mostrou militante, mas nas entrelinhas, militava”, diz Rappin’ Hood em depoimento ao filme. 

Como uma estratégia de seguir relevante em sua arte neste período, Jair Rodrigues exaltava suas origens e a cultura negra em músicas como as do disco “Festa Para Um Rei Negro”: “Ao gravar, em 71, o samba enredo para a Salgueiro, ‘Festa para um rei negro’, (…) ele estava fazendo uma luta política, uma luta das classes mais oprimidas. Gravando compositores das escolas de samba, gravando pessoas que nunca foram gravadas”, diz o historiador Bruno Baronetti.

O documentário também aborda o lado pessoal do cantor, em imagens íntimas ao lado do filho, Jairzinho, enquanto compunham juntos, e em shows com a participação de Luciana Mello.

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