Em um longa que privilegia os lados cantor, família e extrovertido. Jair Rodrigues: Deixa que Digam mostra a efervescência do cinebiografado de vários pontos de vista. Confira a crítica completa.
Rubens Rewald (Segundo Tempo) traz Jair Rodrigues para as telonas, um dos grandes cantores do Brasil, mas ele faz algo raro nas cinebiografias, focando nas várias faces dele. Com isso, mal vemos o filme passar.
O roteiro do próprio diretor, tem claro, linearidade que uma história dessas precisa, como o seu crescimento dentro da música, e seus sucessos, mas a forma com que vemos isso surpreende, pois temos a mesma trama sendo contada por vários pontos de vista, até mesmo entrevistas com Jair foram incluídas.
E agregar a família organicamente, aos poucos, como se não não houvesse pressa, também é um acerto estonteante, não só pelas introduções, mas trazem o lado familiar conhecido de Jair, e mesmo que tenhamos aquela estrutura clássica de entrevistas para este tipo de filme.
A versatilidade dele também se destacam, seja pelas interpretações de Disparada ou Deixa Isso Pra Lá, e tantas outras canções. Deixa que Digam focam na potência rara. E como temos um filme musical, e Jair ainda faz parecer fácil cantar tantos estilos.

As performances em diversos momentos, do festival de música em 1966, a apresentações contemporâneas, o roteiro pouco perde seu estilo, de mostrar como ele era um artista não só completo, mas com personalidade exacerbada, o seu comportamento tão único em cima de um palco.
As parcerias ao longo da vida também possuem seu momento, principalmente a parceria com Elis Regina, a única parte mais contemplativa do longa, deixa o espectador sentir a presença de Jair e mais alguém, com fluidez, privilegiando as músicas.
O filho do cantor, Jair Oliveira, é convidado para interpretar o pai em estúdio, narrando momentos, com um toque pessoal, com o cuidado necessário para que tudo seja perfeito. Mostrando para o espectador como Jair era ímpar. O próprio Jairzinho diz em um trecho, como é difícil imaginar o pai parado em frente a um microfone contando sua história.
Há um lado de fã aqui, de trazer Jair para um público que o conhece ou que queria conhecê-lo através de Deixa que Digam, porém é nítido o cuidado de manter um estrutura e inserir elementos conforme avançamos na história.

Este lado poderia até quebrar como o espectador se liga a obra, ao preservar as nuances do biografado, não há exageros ou tentativas de endeusar, e sim de mostrar o privilégio de termos conhecido a música, e principalmente a pessoa por trás de tudo isso.
Mesmo com tantas cinebiografias sendo lançadas, Jair Rodrigues: Deixa que Digam nos lembra de quanto mais potente for o biografado, pode até parecer que facilita o trabalho, mas quando se tem um artista tão multifacetado como Jair, com tantas vertentes, o filme é outro.
Nota: 4/5
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