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| Infâmia | Review

O Grupo XIX de Teatro apresenta working progress do experimento cênico Infâmia – resultado do Projeto XIX Ano 19: Crise e Insurreição. Eu assisti um destes experimentos online e como é interessante perceber que o teatro soube trazer elementos tecnológicos e ainda trazer um filme com Audrey Hepburn (Boneca de Luxo) para o grande público. Confira o review completo de Infâmia.

Infâmia é inspirado em um texto de teatro da década de 1930, de Lilian Hellman, que ganhou as telas do cinema em 1961, com Audrey Hepburn e Shirley MacLaine no elenco. A trama acompanha duas professoras de um colégio para meninas, que têm suas vidas arruinadas quando uma de suas alunas as acusa falsamente de manter uma relação homoafetiva.  Flertando com os limites entre o cinema e o teatro, o processo toma como objeto central a obra e propõe a recriação desse clássico, num projeto híbrido, que mescla a linguagem audiovisual e cenas ao vivo.

O grupo usa o material original como um ponto de ignição para o que virá a seguir, nos primeiros atos há uma apresentação do longa em si, não como no sentido de começo, meio e fim, mas em cenas específicas e pontos de viradas conhecidos do filme. O grupo brinca com estas cenas com redublagem de momentos específicos, misturando vozes masculinas e femininas, que serviu como um grande aquecimento para os atos seguintes.

Toda a apresentação foi realizada pelo aplicativo Zoom, mas não significa que temos uma apresentação dentro do esperado, ainda mais depois do primeiro ato, o grupo começa a mostrar suas inserções após essas cenas, e até assuntos como a pandemia aparecem.

Infâmia fala de amor, mas aqui temos uma expansão do conceito, já que perguntar se o outro está bem, se têm se cuidado ou se precisa de algo, também é uma forma de amor. Com isso temos o aprofundamento das relações seja pelos diálogos ou inserções de textos e imagens na tela.

O uso de multitelas é essencial para um espetáculo como esse, mas também pode ser o triunfo se bem utilizado, já que as inserções de diálogos são feitas por uma tela e as outras estão fazendo executando a mesma cena em repetição. Causa um estranhamento no começo, mas como entendemos a narrativa e narrativa principal não há novas surpresas.

Há sim multitelas em cena, mas todas agregam algum sentimento ou alguma relevância ao que ocorre, seja por frases ou eventos. O grupo soube entender quais elementos são utilizados no longa que serve de inspiração e aprofundar em uma realidade atual e pandêmica.

Conforme os diálogos e atos avançam percebemos que os temas do longa serão pertinentes, com uma atualização rara em espetáculos como este, já que temos detalhes que correspondem a nossa rotina, mas poderiam ser colocadas no filme de 61 sem nenhum problema.

A possível relação homoafetiva que o longa aborda fica em segundo plano na peça, já que os personagens buscam relações profundas e de identificação dos espectadores, mesmo com a mistura de vozes (Uma masculina realizando uma voz ou personagem feminina) a peça se mantém integra e com diálogo atual e integro.

O principal problema seja pelo excesso de telas que carregam excessos que podem atrapalhar, mas como há uma inserção integra e aos poucos sem atropelos, o espectador, mesmo que online embarca na mensagem e entende o que ocorre.

A inserção Zoom e atores é algo que incomoda no começo, já que há algumas repetições e a mudança brusca entre os atos, não há grandes problemas, talvez uma inserção menor seria ideal, mas nada que comprometa o resultado. O incomodo inicial quando vencido, vale a pena.

Mesmo sendo quase como um experimento sobre o longa da década de 60, o grupo se sobressai sobre o material original por justamente trazer avanços tecnológicos, que a pandemia nos impõe, e traz um história que poucos conhecem (Ao não ser os mais cinéfilos) de uma forma que mostra o material original aos que não conhecem e abrangem o conteúdo para o público.

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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