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| Noites de Alface | Crítica

Em um filme que parece que saiu de um livro de mistérios dos anos 90, Noites de Alface busca contar sua história com várias linhas temporais, mas se perde ao definir seu rumo principal.  Confira a crítica completa

Ada (Marieta Severo) e Otto (Everaldo Pontes) passaram a vida toda em uma bucólica cidade no interior, onde todos se conhecem. A rotina pacata do casal e de seus vizinhos ganha contornos de mistério com o sumiço repentino do carteiro. Apesar de estar melhorando da insônia graças ao chá de alface preparado por Ada, Otto ainda passa noites em claro lendo um intrigante livro de suspense. O velho ranzinza vê realidade e ficção se embaralharem ao revisitar lembranças e conversas para tentar descobrir o que aconteceu de fato.

O longa dirigido por Zeca Ferreira é baseado na obra de Vanessa Barbara, e temos uma atmosfera que parece tirada dos livros que o personagem Otto lê, de diversas informações sendo colocadas na tela, algumas sem sentido e outras que se encaixam com os acontecimentos que irão ocorrer, ou seja, entenda que Noites de Alface tem um ar de fantasia, suspense e mistério por todos os seus atos.

A própria cena inicial que se repete ao final do filme é justamente neste sentido, se temos alguma linearidade nesta história, mesmo quando entendemos que Ada faleceu em algum momento, as cenas dos dois juntos são distintas quando comparadas as cenas dele sozinho, a mesmo a fotografia a estética da cena mudam. Até mesmo para afirmar que a perda de Ada faz parte da personalidade de Otto agora.

E mesmo sendo ausente nas relações com a casa e afazeres domésticos, eles tinham uma boa cumplicidade, se entendiam e se completavam a sua forma. Everaldo Pontes consegue mostrar na tela essa gama de emoções que Otto possui em diversos momentos da narrativa.

Temos linhas temporais e gêneros diferentes neste longa, nas linhas temporais basta prestar atenção nos atores em cena e na fotografia assim que você entender quais elas são (É mais fácil que Dark, fica tranquilo(a), já nos gêneros o roteiro não teve o mesmo cuidado, já que temos thriller policial em uma cena, suspense na seguinte e arcos dramático na sequência sem nenhuma cerimônia.

É como se o longa não escolhesse seu caminho entre um ato e outro, como se fosse os livros que Otto lê, que se desenrolam rapidamente com poucas explicações e se encaminham para sua resolução nas páginas seguintes.

O casal protagonista está perfeito em cena, com diálogos bem encaixados e respostas rápidas. O diretor aproveita essa sintonia para movimentar a câmera quase como pequenos planos sequência para aproveitar elementos clássicos de uma casa onde estamos fazendo diversas tarefas ao mesmo tempo. E ainda explorar as diferentes personalidades de ambos.

Este excesso prejudica também os personagens secundários, que estão muito caricatos e pouco agregam a trama. Mesmo que o foco seja o casal e as linhas temporais, eles pouco interferem e transformam a cena. Ficam secundário no pior sentido da palavra.

Noites de Alface é o filme que começa bem, vamos entendendo como será a forma de narrativa, porém ele se perde em momentos que não fazem sentido, já que é claro que havia mais criatividade em algumas escolhas. Já que algumas podem mais confundir do que auxiliar o espectador.

Nota: 2/5

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