Cinema, Streaming

Itaú Cultural Play | Novidades da plataforma em abril

Com dois curtas, 1 média e seis longas-metragens documentais, a seleção explora a expressividade da moda a partir de dimensões sociais, culturais e econômicas. As exibições também integram as ações da Semana Fashion Revolution, no Brasil.

Castanho (Amazonas, 19 min 50 s, 2023)

No dia 3 de abril, a plataforma de streaming dedicada ao cinema brasileiro, Itaú Cultural Play (IC Play), estreia a mostra Fabular Futuros. A seleção reafirma a diversidade e a presença dos povos originários no audiovisual, trazendo filmes dirigidos e produzidos por cineastas indígenas cujos trabalhos transitam entre ficção e documentário para projetar perspectivas decoloniais, ancestrais e imaginárias.

Ao todo são cinco curtas-metragens, lançados entre 2023 e 2025. As narrativas estão ancoradas na realidade, na memória e em visões futuristas sob a perspectivas de diferentes povos brasileiros, como o Maué (Amazonas), Guarani (São Paulo) e Huin Kuî (Acre). Assim, o conjunto revela lógicas não conhecidas para o entendimento do passado, presente e futuro, bem como na produção de linguagem audiovisual. 

A fim de reforçar a proposta da mostra e ampliar a diversidade do catálogo, no mesmo dia retornam à IC Play outras três obras do cinema indígena: Bimi Shu Ikaya – Bimi com o poder de sopro (2018), sobre a primeira aldeia organizada por uma mulher no Acre;  Mãri hi (2023), curta-metragem premiado no festival É Tudo Verdade de 2023, sobre a cosmovisão dos Yanomami em Roraima; e Rami Rami Kirani (2023), que ressalta o papel feminino das mulheres Huni Kuin, no Acre, na preservação de suas tradições.

O acesso à Itaú Cultural Play pode ser feito em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e via Chromecast. O conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

Os filmes

Origem da noite (Amazonas, 20 min, 2025), de Maickson Pavu Serrão, parte de um mito do povo Maué para narrar o surgimento da noite, quando um jovem é escolhido para recuperar algo que foi ocultado na floresta. Em animação, o filme traduz elementos da tradição oral em uma construção visual em diálogo com imaginários de origem. Com direção de NatoRê e Mawa Pey, Mistérios do Nixipae (Acre, 25 min, 2023) aborda a origem da ayahuasca a partir da cosmovisão Huni Kuî. Conduzido pelo líder Isaka Ruy, o filme combina registros e fabulação para apresentar essa narrativa, reconhecida com prêmios de júri popular no 17º Festival do Cinema Brasileiro do Circuito Penedo de Cinema, em Alagoas, e de Melhor Produção e Honra ao Mérito no III Festival CineMAZ, em Varginha (MG).

Na videoarte KARAIW A’E WÀ (Rio de Janeiro, 24 min, 2022), Zahy Tentehar e Candombá utilizam o conceito de futurismo indígena para questionar noções do que se convencionou chamar de civilização e confrontar imagens construídas historicamente sobre os povos originários. Premiado em festivais como o Circuito Penedo de Cinema e o CineMAZ, o trabalho reforça o potencial crítico dessas abordagens.

Dirigido por Carlos Eduardo Magalhães e Kunha Rete, Javyju – bom dia (São Paulo, 25 min, 2024) imagina um futuro após a destruição da Terra, em que a aldeia Guarani do Jaraguá resiste. A partir de um sonho, três jovens são convocados a atravessar a cidade de São Paulo, em um percurso que articula espiritualidade e sobrevivência. Em Castanho (Amazonas, 19 min 50 s, 2023), Adanilo acompanha o cotidiano de uma mulher argentina em uma comunidade amazônica, explorando relações e deslocamentos que sugerem uma rotina dividida. O filme se aproxima das personagens para construir um retrato marcado por ambiguidades e tensões discretas.

De volta

Entre os títulos que retornam ao catálogo, Bimi Shu Ikaya – Bimi com o poder de sopro (Acre, 52 min, 2018), de Isaka Huni Kuin, Siã Huni Kuin e Zezinho Yube, acompanha a trajetória de uma liderança feminina que rompe estruturas ao assumir funções como pajé. O documentário observa o cotidiano e os rituais, destacando o papel das mulheres na preservação dos saberes. A diretora Morzaniel Ɨramari investiga, em Mãri hi – A árvore do sonho (Roraima, 17 min, 2023), o universo dos sonhos dos Yanomami a partir do relato de um xamã. Premiado no É Tudo Verdade, o filme propõe uma imersão sensorial que articula diferentes experiências oníricas dentro da comunidade.

Por fim, Rami Rami Kirani (Acre, 43 min, 2023), de Lira Mawapai Huni Kuin e Luciana Txirá Huni Kuin, registra o processo do ritual do Nixi Pae sob a perspectiva feminina. Resultado de um trabalho coletivo, o documentário acompanha desde a preparação até a realização da cerimônia, evidenciando transformações no papel das mulheres dentro da prática.

FICHA E SINOPSES DOS FILMES

Origem da noite
de Maickson Pavu Serrão (Animação, 20 min, Amazonas, 2025)
Classificação indicativa: AL – Violência
Sinopse: Antes de existirem estrelas, lua e descanso, o povo Maué vivia sob a luz incessante do sol, condenado a trabalhar sem pausa, sem sonhos. A Noite foi roubada pela cobra Surucucu Pico de Jaca, que a escondeu na floresta. Um jovem corajoso chamado Awatopóti é escolhido para enfrentar a cobra e trazer de volta o direito de sonhar.

Javyju – bom dia
de Carlos Eduardo Magalhães e Kunha Rete (Ficção científica, 25 min, São Paulo, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Num futuro próximo, a Terra foi destruída. Os povos indígenas sobreviveram graças à proteção dos espíritos da natureza. Na antiga cidade de São Paulo, a aldeia Guarani do Jaraguá é uma das sobreviventes e recebe, através de um sonho, uma mensagem de esperança. O pajé da aldeia convoca três jovens para viajar até a cidade vazia em busca de respostas.

KARAIW A’E WÀ
de Zahy Tentehar e Candombá (Ficção científica, 24 min, Rio de Janeiro, 2022)
Classificação indicativa: A10 – Medo
Sinopse: A videoarte recorre ao termo “karaiw”, que significa “civilizado”, para questionar a representação do indígena como “selvagem” e “bárbaro”, uma imagem profundamente arraigada pela colonialidade.

Mistérios do Nixipae
de NatoRê e Mawa Pey (Documentário, 25 min, Acre, 2023)
Classificação indicativa: A10 – Drogas lícitas
Sinopse: O curta-metragem retrata o surgimento da bebida do Nixipae (ayahuasca) na cosmovisão do povo Huni Kuî. Uma linguagem híbrida entre ficção e documentário. O líder Isaka Ruy nos guia em uma história pelo mundo dos encantados, na Terra Indígena Katukina-kaxinawa, em plena floresta amazônica brasileira.

Castanho
de Adanilo (Drama, 19 min 50 s, Amazonas, 2023)
Classificação indicativa: A12 – Violência, Linguagem imprópria, Drogas lícitas
Sinopse: María é argentina e reside em Cachoeira do Castanho, no interior do Amazonas. Ela leva uma vida dupla e se divide entre a rotina com Dona Belém, Cícero, e viagens suspeitas.

Bimi Shu Ikaya – Bimi com o poder de sopro
de Isaka Huni Kuin, Siã Huni Kuin e Zezinho Yube (Documentário, 52 min, Acre, 2018)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Bimi, do povo Huni Kuin, no Acre, é a primeira mulher indígena a organizar uma aldeia. Ela enfrentou o patriarcalismo e quebrou tabus. Mestre artesã, neste novo matriarcado, Bimi cumpre papéis tradicionalmente reservados aos homens, como ser pajé de cura e guardiã dos saberes ancestrais.

Mãri hi – A árvore do sonho
de Morzaniel Ɨramari (Documentário, 17 min, Roraima, 2023)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Para os indígenas Yanomami, todos os seres humanos sonham e cada um pode ter sua própria experiência dentro dos sonhos – os jovens se deparam com os queixadas e as mulheres podem ver a floresta se transformar em outra. Já os homens adultos conseguem ver uma grande chuva cair sobre a floresta. Partindo dessas observações, a palavra de um grande xamã nos conduz pelo universo do onírico dos Yanomami.

Rami Rami Kirani
de Lira Mawapai Huni Kuin e Luciana Txirá Huni Kuin (Documentário, 43 min, Acre, 2023)
Classificação indicativa: A12 – Drogas lícitas
Sinopse: O Nixi pae é uma bebida sagrada usada pelo povo indígena Huni Kuin em seus rituais xamânicos. Durante certo tempo, seus poderes medicinais estiveram consagrados unicamente aos homens. Mas essa hegemonia foi derrubada desde que as mulheres Huni Kuin reivindicaram o direito de celebrá-lo. O filme registra, a partir da perspectiva feminina, os preparativos dessa sua cerimônia.

SERVIÇO:

Estreias na Itaú Cultural Play

Mostra Fabular Futuros e volta de filmes ao catálogo

A partir de 3 de abrilde 2026

Em www.itauculturalplay.com.br

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