Uma comédia romântica com toque sci-fi que cresce conforme encontra seu próprio caminho.

Há algo naturalmente cativante em histórias que cruzam diferentes linhas do tempo para falar de amor. Ditto: Conexões do Amor parte dessa premissa ao colocar dois universitários, separados por mais de duas décadas, em contato através de um rádio amador. O que poderia ser apenas um recurso narrativo curioso rapidamente se transforma no coração emocional do filme, ainda que nem sempre com a fluidez esperada.
Protagonizado por Yeo Jin-goo e Cho Yi-hyun, o longa se apoia bastante no carisma de seus leads para sustentar a proposta. Há uma dinâmica interessante logo de início: de um lado, um jovem mais introspectivo, perdido em suas próprias inseguranças; do outro, uma personagem mais decidida, aberta ao mundo e às possibilidades. Esse contraste funciona bem dentro da lógica de uma comédia romântica tradicional, trazendo leveza e identificação.
A ambientação universitária também contribui para esse frescor inicial. O filme captura bem esse momento de transição, o começo da vida adulta, as dúvidas sobre o futuro, os primeiros amores, e utiliza isso como base para construir suas relações. Há um charme nessa simplicidade, que aproxima o espectador antes mesmo dos elementos mais fantásticos entrarem em jogo.
No entanto, quando a narrativa passa a depender mais diretamente da conexão entre os dois tempos, o filme encontra algumas dificuldades. As engrenagens dessa relação demoram a se encaixar com clareza, e o espectador muitas vezes precisa preencher lacunas por conta própria. Falta, em determinados momentos, um respiro maior, ou até mesmo um pouco mais de didatismo, para que as regras desse universo fiquem mais bem estabelecidas.

Essa escolha pode ser vista como uma tentativa de evitar explicações excessivas, mas acaba criando uma sensação de desalinhamento. Em um filme que lida com linhas temporais e um toque de ficção científica, a construção dessas conexões é fundamental e aqui, ela oscila entre o envolvente e o confuso.
Ainda assim, a trama encontra maneiras de se reequilibrar ao longo de sua duração. Conforme os atos avançam, a narrativa parece mais consciente do que quer construir emocionalmente. Os conflitos ganham mais peso, as decisões se tornam mais significativas e o filme começa a trabalhar melhor suas próprias ideias.
O ato final, em especial, é onde essa evolução se torna mais evidente. Há uma tentativa clara de amarrar os temas centrais, escolhas, destino, recomeços, de forma mais sensível e impactante. Mesmo que nem todos os problemas estruturais sejam resolvidos, existe uma compensação emocional que ajuda a dar sentido à jornada.

Talvez o maior ponto de frustração venha justamente do potencial. A combinação de romance com elementos de ficção científica abre possibilidades interessantes que o filme apenas toca, sem explorar completamente. Há espaço para ir além, para aprofundar as implicações dessa conexão temporal.
Temos um filme que começa de forma simples, tropeça em sua própria ambição, mas encontra um caminho mais sólido conforme avança. Imperfeito, mas sincero, ele aposta no poder das conexões e reforça que, às vezes, entender o tempo é menos importante do que saber o que fazer com ele.
Nota: 2/5
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