Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio, Cheiro de Diesel denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem (GLOs).

Depois de estrear no Festival do Rio e conquistar o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular, CHEIRO DE DIESEL,dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, chega agora ao circuito comercial. Com distribuição da Descoloniza Filmes, o longa-metragem estreia nos cinemas brasileiros no próximo dia 2 de abril.
A semana escolhida é simbólica porque traz à memória duas feridas ainda abertas na história do país: o Golpe Militar, que deu início a uma ditadura de mais de três décadas no Brasil, e completa 62 anos no dia 1º de abril; e a invasão das Forças Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, iniciada há 12 anos (5 de abril de 2014) sob o pretexto de “pacificar” a região.
O filme registra os traumas deixados pela ocupação de favelas e morros do Rio de Janeiro pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem, as GLOs. No documentário, moradores das favelas da Maré e da Penha, na zona norte da capital, e do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, relatam a rotina de medo e tensão durante a presença de soldados armados com fuzis e tanques de guerra nas ruas.
As ocupações ocorreram entre 2014 e 2015 — período dos preparativos para a Copa do Mundo — e voltaram a acontecer entre 2017 e 2018. Ao longo do filme, moradores denunciam violações de direitos humanos, ameaças constantes e, em um depoimento marcante, o caso de tortura cometido contra moradores da Penha numa “sala vermelha”, em um quartel do Exército.
O longa é dirigido por Natasha Neri, documentarista premiada por Auto de Resistência, vencedor do É Tudo Verdade em 2018, e por Gizele Martins, jornalista comunitária da Favela da Maré, que conduz os depoimentos e faz sua estreia na direção. Gizele acompanhou o processo de ocupação de favelas pelas Forças Armadas de perto, como moradora, jornalista e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado.
“O cotidiano foi de invasão às escolas, aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações. A Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer, em 2017 e 2018”, afirma.
CHEIRO DE DIESEL é uma produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme, distribuição da Descoloniza Filmes e distribuído com a parceria da RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. O longa, que acompanha ainda a luta dos moradores por justiça e reparação coletiva, chega aos cinemas no dia 2 de abril.