Cinema, Crítica de Filme

The Rose: Come Back to Me | Crítica

Um retrato íntimo que privilegia a história e o lado humano por trás da ascensão de uma das bandas mais singulares do k-pop.

Os documentários musicais costumam caminhar entre a celebração e a autopromoção, mas The Rose: Come Back to Me encontra um ponto de equilíbrio interessante ao construir um retrato íntimo e surpreendentemente humano da trajetória da banda The Rose. Desde os primeiros minutos, o filme se preocupa em apresentar o grupo não apenas como parte do universo do k-pop, mas como uma banda em sentido pleno, músicos que tocam, compõem e constroem sua identidade artística a partir da colaboração entre seus integrantes.

O documentário dedica um tempo generoso a cada membro, permitindo que suas histórias pessoais se desenvolvam com clareza. Ao revisitar o início da carreira, o filme assume um caráter quase pedagógico, explicando o contexto em que a banda surgiu e as particularidades de sua formação. Essa abordagem ajuda a compreender as personalidades distintas que coexistem no grupo e como elas se complementam criativamente. O tempo de tela bem distribuído reforça a sensação de coletividade, evitando transformar a narrativa em um retrato unilateral.

Embora siga uma estrutura relativamente segura, sem grandes experimentações formais, o documentário se destaca por optar por um foco menos musical e mais histórico. As performances e momentos de palco estão presentes, mas funcionam como marcos de uma trajetória maior, não como o centro absoluto da narrativa. O interesse principal está nas dificuldades enfrentadas por uma banda que opera dentro de uma indústria majoritariamente moldada para grupos de performance coreografada. Ao evidenciar esses obstáculos, o filme revela tensões internas do mercado e o esforço necessário para sustentar uma proposta artística diferente.

O tom adotado é frequentemente sentimental e, em alguns momentos, duro. A câmera se mantém próxima dos integrantes, privilegiando enquadramentos que capturam hesitações, silêncios e emoções cruas. Ao abrir espaço para que eles falem diretamente sobre inseguranças, frustrações e expectativas, o documentário constrói um retrato que valoriza o lado humano por trás da imagem pública. Essa proximidade gera uma sensação de confiança entre personagem e espectador, transformando depoimentos em momentos de genuína vulnerabilidade.

Naturalmente, o filme também celebra a ascensão da banda e seus grandes espetáculos. Os shows que redefiniram a posição do grupo no cenário musical surgem como pontos de virada narrativos, ilustrando o crescimento artístico e a consolidação de uma base de fãs. No entanto, mesmo nesses momentos de exaltação, a montagem mantém o foco na jornada coletiva, evitando que o espetáculo ofusque o processo.

O resultado é um retrato que soa mais autêntico do que muitos documentários musicais associados ao k-pop. Ao priorizar a história, os conflitos e a intimidade dos integrantes, o filme constrói uma narrativa que vai além da vitrine promocional. É um registro que reconhece o peso da indústria, mas escolhe enfatizar a resiliência criativa e emocional de seus protagonistas.

No conjunto, The Rose: Come Back to Me funciona como uma crônica sensível sobre identidade artística e perseverança. Sem reinventar a linguagem do documentário musical, o filme encontra força na honestidade de seus depoimentos e na clareza com que articula a trajetória da banda. O que permanece ao final é a impressão de ter acompanhado não apenas a evolução de um grupo, mas o amadurecimento de indivíduos que transformaram experiências pessoais em expressão artística compartilhada.

Nota: 4/5

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