A Última Fita investe em parcerias técnicas, trilha sonora original e efeitos práticos para disputar espaço no circuito de festivais de cinema de gênero
Produzir cinema de gênero no Brasil, fora do eixo dos grandes estúdios, ainda é um desafio que exige criatividade, articulação e visão de mercado. Em Jundiaí, um grupo de jovens cineastas decidiu ir além do modelo tradicional de curta-metragem independente. A Última Fita, primeiro slasher produzido na cidade, nasce com estrutura e ambição de longa-metragem: trilha sonora original pensada desde o roteiro, personagem icônico, efeitos práticos e um plano estratégico voltado para festivais nacionais e internacionais. O projeto reúne talentos regionais e parcerias técnicas que elevam o padrão de produção fora dos grandes centros do audiovisual.
Totalmente independente, A Última Fita se destaca pelo modelo de produção adotado. O curta conta com parcerias estratégicas com players do setor audiovisual, como a Naymovie, que viabilizou um apoio técnico ampliando as possibilidades estéticas e narrativas do projeto.
A estrutura de produção, normalmente associada a longas-metragens, inclui planejamento detalhado de fotografia, direção de arte, desenho de som e efeitos práticos. “Desde o início, a ideia nunca foi tratar o filme como ‘apenas um curta’. Nós idealizamos A Última Fita como uma obra de impacto, com identidade forte e linguagem pensada para circular em festivais de cinema de gênero”, afirma Caroline Adrielli, roteirista, diretora e produtora do projeto. “Produzir fora dos grandes estúdios exige estratégia. Cada decisão criativa também é uma decisão de produção e comunicação voltada para o branding”, completa.
Um dos diferenciais centrais do filme é a trilha sonora original, composta por Daniel Sullivan, desenvolvida paralelamente ao roteiro. A música não entra apenas na pós-produção, mas funciona como elemento narrativo desde a concepção do projeto, ajudando a construir tensão, ritmo e identidade sonora para o universo do filme. “A trilha já nasce junto com a história. O assassino tem uma música tema, assim como no clássico do terror, o Halloween, com a icônica música de Michael Myers. Isso muda completamente a forma como as cenas são escritas, filmadas e montadas”, explica Caroline.
O elenco é formado por atores regionais em ascensão, ligados ao teatro e ao audiovisual da região, reforçando o potencial criativo fora do eixo Rio–São Paulo. Vic Di Giacomo, Rafael Cosme, Stefany Santos, Gabriel Morgenstern, Gabriel dos Reis e Yago Gomes dão vida aos protagonistas pensados para dialogar com o cinema fantástico, apostando em atuações intensas e na construção de um vilão com potencial icônico. Com finalização prevista para 2026, o curta mira festivais especializados em terror e cinema fantástico, como o Screamfest Horror Film Festival, e prevê exibições gratuitas em espaços culturais da cidade.
