Paris Hilton além do ícone: um documentário sobre permanência, controle e reinvenção.

Infinite Icon: Uma Memória Visual não tenta explicar Paris Hilton, ele prefere acompanhá-la. O documentário se constrói como uma experiência imersiva, muitas vezes visceral, guiada pela própria narração da artista, que conduz o espectador por uma linha do tempo bem pensada, sem pressa e sem necessidade de grandes viradas dramáticas. É um retrato que aposta mais na observação do que na tese, mais na permanência do que no choque.
Há um cuidado evidente em estruturar o filme a partir de uma lógica temporal clara, com foco especial na turnê e nos shows, que funcionam como eixo emocional e narrativo. A câmera observa Paris em movimento, nos bastidores, nos deslocamentos e nos palcos, criando um retrato naturalista que evita cortes excessivos e escolhas estéticas espalhafatosas. O resultado é um documentário que respira junto com ela permitindo que os momentos se estendam quando necessário.
Mesmo sem buscar o drama de forma explícita, o filme toca em pontos importantes da carreira de Paris Hilton com honestidade. Ele atravessa sonhos de infância, a adolescência marcada pela cultura clubber, o impacto brutal da lógica tabloide e a construção de uma imagem pública constantemente reduzida a caricaturas. Tudo isso aparece sem sublinhados emocionais, o que paradoxalmente torna essas passagens ainda mais potentes.

A narração em off de Paris funciona como um fio condutor íntimo, quase confessional, mas nunca excessivamente autocentrada. Ela comenta, contextualiza e revisita imagens sem tentar reescrevê-las à força. Essa escolha reforça o caráter memorial do projeto: não se trata de justificar o passado, mas de reconhecê-lo como parte de um processo contínuo de reinvenção.
O documentário também estabelece ligações diretas com a música, ainda que essas sequências ocupem um tempo considerável da duração. As performances, ensaios e repetições musicais funcionam como espelhos temáticos, retomando ideias, sentimentos e arcos já apresentados. Em alguns momentos, essa insistência pode parecer alongada, mas ela faz sentido dentro da proposta de construir uma memória visual baseada na recorrência, de sons, imagens e gestos.
Dirigido por J.J. Duncan e Bruce Robertson, Icon costura anos de material com equilíbrio: vídeos caseiros inéditos, entrevistas recentes, arquivos de mídia e performances ao vivo se conectam sem rupturas abruptas. O filme entende que a trajetória de Paris Hilton não é feita de um único ponto de virada, mas de camadas que se acumulam, se repetem e se transformam ao longo do tempo.
Temos um retrato honesto, que não tenta santificar nem dramatizar excessivamente sua protagonista. O documentário reconhece Paris Hilton como artista, empresária e figura cultural complexa, sem reduzir sua história a escândalos ou slogans. É um documentário que aposta na continuidade.
Nota: 2/5
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