Teatro

Mulher em Fuga | Espetáculo ganha data de estreia

Sesc 14 Bis recebe em 15 de janeiro a estreia nacional de Mulher em Fuga, com Malu Galli e Tiago Martelli, onde a atriz vive o drama da mãe do escritor francês Édouard Louis.

Crédito: João Pacca

Chega ao teatro brasileiro Mulher em Fuga, a primeira adaptação nacional de Lutas e Metamorfoses de uma Mulher e Monique se Liberta, obras marcantes do escritor francês Édouard Louis que, até o momento, nunca haviam sido encenadas no país. A dramaturgia inédita é assinada por Pedro Kosovski, com direção de Inez Viana, atuação de Malu Galli e Tiago Martelli, que também é o idealizador do projeto, e coordenação geral de produção de Cícero de Andrade. A estreia nacional de “Mulher em Fuga” será em 15 de janeiro de 2026, no Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez, onde fica em cartaz até o início de fevereiro.

A narrativa da peça acompanha Monique, a mãe do autor, em diferentes momentos de sua vida: gesto literário ao mesmo tempo, íntimo e político, que expõe as engrenagens sociais que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora. Entre a luta e a libertação, o que vemos é uma mulher que insiste em recomeçar. E, nesse gesto, Monique se torna também o retrato de tantas mulheres brasileiras que, contra todas as adversidades, assumem a chefia de suas famílias e reinventam suas vidas. Édouard Louis participa da encenação “Mulher em Fuga” por meio de voz off, na cena em que ele e sua mãe conversam ao telefone.

As duas obras literárias, centrais na trajetória de Édouard Louis, abordam a vida de sua mãe sob diferentes perspectivas: em Lutas e Metamorfoses de uma Mulher (2021), Louis reconstrói a trajetória de sua mãe a partir do olhar do filho que testemunhou – muitas vezes à distância, outras de muito perto – um percurso marcado por pobreza, humilhações, trabalho exaustivo e um casamento abusivo. A obra narra o difícil caminho da metamorfose: o momento em que uma mulher decide romper com o ciclo de violência e buscar dignidade, liberdade e reconstrução. Louis transforma a memória íntima em gesto político, revelando como estruturas sociais moldam vidas e limitam possibilidades.

Já Monique se Liberta (2024) amplia essa narrativa ao devolver a palavra à própria protagonista. Pela primeira vez, Monique assume a autoria de sua história, descrevendo com força e lucidez o que significa sobreviver – e resistir – dentro de um sistema que silencia mulheres da classe trabalhadora. Ao narrar seus medos, perdas, estratégias e conquistas, ela reivindica o direito de existir para além das condições que lhe foram impostas. O livro funciona como um contraponto e uma resposta ao relato do filho, completando o movimento de emancipação que começou no primeiro volume.

A adaptação de Pedro Kosovski aproxima essas duas vozes – mãe e filho – em um gesto cênico que evidencia tanto o conflito quanto o afeto, a memória e a insurgência presentes na obra de Édouard Louis. Ao transpor essas narrativas para o teatro, o dramaturgo cria uma experiência sensorial e política que amplia o alcance dos livros, revelando suas potências dramáticas e sua urgência social.

Serviço

Estreia em 15 de janeiro, quinta-feira, às 20h

Temporada: 15 de janeiro até 8 de fevereiro. Quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 18h. 

Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo

Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 – Verde)

Telefone: (11) 3016-7700

Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$35,00 (meia entrada) e R$ 21,00 (credencial)

Acessibilidade: Libras nos dias 29, 30, 31/jan. e 1/fev., e audiodescrição nos dias 31/jan. e 1/fev.

Classificação: 14 anos

Duração: 80 minutos

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