A ambição é grande, o ritmo é lento, e o resultado divide mais do que empolga.

Demorei algum tempo para conseguir escrever sobre O Agente Secreto. O tão esperado longa de Kleber Mendonça Filho está dando o que falar com os prêmios recebidos no Festival de Cannes por melhor direção e melhor interpretação, além do Prêmio da Crítica pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipreci), também em Cannes, colocando o longa brasileiro em uma possível corrida pelo Oscar 2026. Diante de tanto burburinho e tantos elogios, foi difícil encontrar as melhores palavras para dar uma opinião sincera sobre um filme do qual não gostei.
O título “O Agente Secreto” parece sugerir que as próximas 2h40m serão cheias de cenas de ação e suspense. Porém, não temos uma história de espionagem, nem de suspense, muito menos, boas cenas de ação. Wagner Moura dá vida ao protagonista Marcelo que, para a surpresa de todos, não o que dá nome ao filme
Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.

A Ditadura Militar brasileira é o plano de fundo da história, cheia de temas inseridos nesse período. Porém, com um roteiro dividido em 3 atos, cada um deles faz uma mistura de assuntos que juntos não fazem nenhum sentido, como é o caso do mistério da “perna cabeluda” (sem conclusão); da relação entre passado e presente no laboratório de pesquisa (arco temporal que ficou confuso para o público) e a fixação do filho de Marcelo em assistir o filme “Tubarão”, de Steven Spielberg – 1975, que não faz diferença na trama.
Dois elementos salvam o filme de um completo desastre. O primeiro é Tânia Maria, atriz que interpreta Dona Sebastiana, proprietária de um prédio em Recife, que, durante a ditadura militar brasileira, abrigava dissidentes políticos. Tânia iniciou a carreira como atriz aos 78 anos, quando foi descoberta por Kleber Mendonça Filho nas gravações de “Bacurau”, no interior do Rio Grande do Norte. A artesã foi convidada para ser figurante longa de 2019 e se destacou, sendo convidada para participar do novo trabalho do diretor. A atriz traz uma Dona Sebastiana que conquista o público com seu carisma e sinceridade.
O segundo elemento é a cenografia. É possível perceber o excelente trabalho de pesquisa, com uma década de 70 construída por meio de referências culturais, que conseguem retratar muito bem o ambiente político da época.
O Agente Secreto é um filme lento, que não deve agradar a todos que o assistem, porém, diante da campanha positiva no exterior, pode encontrar um espaço no Oscar 2026.
Nota: 1/5
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