Kygo prova que presença de palco também pode estar no controle absoluto do som.
KYGO: Back at the Bowl não é apenas mais um show registrado em vídeo: é um espetáculo técnico que aproveita ao máximo os formatos de exibição (2D, ScreenX, 4DX, Ultra 4DX) para transformar a experiência em algo visualmente deslumbrante. Gravado no lendário Hollywood Bowl, em Los Angeles, o concerto coloca em evidência não só a música de Kygo, mas também o poder de como luz, som e imagem podem ser combinados em harmonia para elevar o público a uma verdadeira imersão sensorial.
Desde os primeiros minutos, fica claro que Kygo tem total consciência do que está fazendo. Ele não precisa correr pelo palco ou interagir fisicamente com a plateia para criar impacto; sua presença está no controle absoluto da música e da atmosfera. As transições entre faixas são certeiras, mantendo a energia constante e fazendo com que o público seja conduzido por uma jornada musical sem quebras abruptas. É como se cada batida fosse calculada para atingir não só o ouvido, mas também o olhar e o corpo de quem assiste.
A participação de convidados como Ryan Tedder, Ava Max, Zara Larsson e Calum Scott reforça a dimensão única da apresentação. São vozes que se somam às produções eletrônicas de Kygo, criando momentos que dificilmente poderiam ser repetidos em outra ocasião. Essa união entre o DJ e os cantores convidados traz dinamismo ao show, oferecendo uma paleta variada de estilos que, mesmo dentro do universo eletrônico, se complementam e enriquecem a experiência.
O espetáculo também brinca com elementos visuais que vão além do óbvio. As doses de animação, distribuídas ao longo da apresentação, adicionam nuances interessantes, como se cada trecho da setlist fosse pensado não apenas para ser ouvido, mas também interpretado visualmente. Essa camada extra de criatividade amplia o impacto da performance, reforçando que se trata de um show pensado para o cinema e não apenas para o palco.
Apesar de todos esses pontos fortes, há momentos em que o show perde um pouco de frescor. A repetição de certos clímax, muitas vezes impulsionados pelos convidados, pode gerar uma leve sensação de desgaste para o espectador. Não se trata de uma falha grave, mas de uma consequência natural de um espetáculo que aposta na intensidade o tempo todo. Ainda assim, mesmo nesses momentos, a energia não desaparece; Kygo mantém firme a condução, com uma postura que nunca demonstra cansaço, o que pode ser visto tanto como um ponto positivo quanto como uma pequena quebra de realismo para quem espera sinais de esforço em um set tão longo.
Back at the Bowl funciona como um registro poderoso do que Kygo representa hoje na cena eletrônica: um artista que não precisa de excessos para criar impacto, mas que sabe orquestrar palco, luz e som como poucos. O show captura não só sua habilidade como DJ, mas também sua capacidade de transformar um concerto em um evento que parece maior do que a soma de suas partes. Para os fãs, é uma oportunidade rara de reviver um momento icônico; para os curiosos, é uma porta de entrada para compreender por que Kygo é um nome tão marcante em sua geração
Nota: 3/5
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