Entre corridas realistas e dramas pessoais, o filme encontra seu ritmo.

A chegada de Motorista de Fuga ao Disney+ mostra que ainda há fôlego para filmes de ação que não dependem apenas de explosões grandiosas. Aqui, a vida simples de quem precisa de uma mudança rápida é o ponto de partida, e o filme sabe retratar isso sem pressa, construindo um protagonista que se equilibra entre o peso do passado e a necessidade de seguir em frente.
A ação das corridas é intensa e bem coreografada, sem cair no exagero. Diferente do espetáculo megalomaníaco de outras franquias do gênero, o filme aposta em perseguições mais realistas, mantendo o pé no chão e criando tensão pelo risco real e não pelo impossível. Nesse cenário, a dupla de protagonistas, vivida por Samara Weaving e Karl Glusman, sustenta não apenas a química em tela, mas também o drama da relação conturbada, marcada por problemas antigos que ainda ecoam no presente. Essa dimensão emocional dá densidade às cenas de velocidade.
O roubo planejado, que envolve a motorista de fuga, é outro ponto alto: a montagem é clara, os detalhes são bem costurados, e cada passo da preparação traz novos elementos que se integram naturalmente ao ritmo do filme. A presença de Andy Garcia como o vilão gangster acrescenta camadas interessantes: ele transita entre a imponência ameaçadora e momentos de leveza quase cômicos, criando uma figura que foge do clichê.

A narrativa é construída em sucessão de atos centrados no casal, mas com pontos de respiro que evitam a monotonia. Mesmo com a estrutura episódica, o filme consegue se explicar bem e segurar o ritmo. Além disso, as surpresas reservadas para os momentos finais mostram que ainda há espaço para pequenas reviravoltas em histórias que poderiam facilmente cair no previsível.
Nem tudo, porém, funciona da mesma forma. Muitos elementos introduzidos não recebem o tempo de tela necessário para se desenvolver, aparecendo e desaparecendo rápido demais. Além disso, as soluções encontradas para levar os carros até locais mais vazios, pistas de corrida, ruas desertas, soam forçadas. Entende-se o limite orçamentário, mas faltou criatividade para disfarçar melhor essas escolhas.
Motorista de Fuga acerta ao apostar em personagens e corridas mais contidas, entregando um thriller de ação que respira entre as explosões. Não é um filme que vai reinventar o gênero, mas sabe encontrar espaço próprio entre o drama íntimo e a adrenalina bem dosada.
Nota: 4/5
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