Um terror fechado, onde cada segredo revela um peso ainda maior.

Danny e Michael Philippou voltam a provar que sabem trabalhar o estranho com naturalidade. Em Faça Ela Voltar, acompanhamos dois irmãos (Billy Barratt e Sora Wong) que, após perderem o pai, são acolhidos pela tutora vivida por Sally Hawkins. A casa já abriga Oliver (Jonah Wren Phillips), a quem ela chama de filho, mas logo fica claro que esse vínculo esconde segredos pesados.
O filme encontra sua força na tensão entre o grotesco e o familiar. O irmão mais velho carrega o trauma das perdas recentes, além de um passado sombrio que ainda o persegue, mas se mantém firme na proteção da irmã mais nova, cuja baixa visão não é apenas um detalhe: é elemento narrativo que acrescenta vulnerabilidade e urgência à trama. A relação entre os dois é bem construída nos diálogos e funciona como o ponto emocional diante do caos que se instala.
Já Oliver ganha um arco peculiar. Seu misticismo vai crescendo cena após cena, até se tornar inevitável no coração da narrativa. O filme explica com clareza essa aura que envolve o personagem, assim como o motivo de sua “mãe” o manter em cárcere privado.

A figura de Sally Hawkins se torna então o verdadeiro centro da história: uma mãe adotiva protetora, mas também uma mulher marcada por um passado cheio de segredos que conecta todos os fios desse pesadelo.
Visualmente grotesco e sanguinolento, o longa nunca perde o controle do caos que constrói. As escolhas estéticas são fortes, o ritmo bem administrado e cada arco narrativo encontra seu fechamento.
O resultado é um filme de terror fechado, mas rico, onde o horror visual e o drama íntimo se complementam em doses bem medidas.
Nota: 4/5
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