Entre capas icônicas e bastidores de resistência, a história viva da Placar

Lançada em março de 1970, a Placar não foi apenas uma revista esportiva: foi um registro de época, um arquivo vivo de histórias, capas e bastidores que, de alguma forma, atravessaram a censura militar sob o pretexto de falar “apenas” de futebol. Placar: A Revista Militante mergulha nesse universo com uma narrativa que alterna memória e análise, guiada por depoimentos de grandes nomes do jornalismo, com destaque para Juca Kfouri, cuja trajetória pessoal se mistura à da publicação.
O documentário acerta ao abrir as “portas de sua redação”, revelando a elaboração de reportagens marcantes, capas icônicas e o modo como a equipe construía um jornalismo ousado, mesmo sob vigilância. A narração é clara, contextualiza bem o período e apresenta o projeto de forma didática, tornando-se uma ótima porta de entrada para quem não conhece a revista ou sua importância para a imprensa brasileira. É, acima de tudo, uma aula de jornalismo.

Ainda que desperte admiração, a obra não escapa de alguns tropeços. A repetição de determinados elementos, sejam imagens, depoimentos ou recursos narrativos, acaba cansando em certos trechos. Somam-se a isso problemas pontuais de áudio e imagem, reflexo de um orçamento limitado, que por vezes enfraquecem o impacto visual. No entanto, essas falhas não chegam a comprometer o valor histórico e jornalístico da produção.
Ao final, Placar: A Revista Militante não é apenas um resgate nostálgico, mas uma lembrança de que o jornalismo esportivo, quando levado a sério, pode ser um ato político. A Placar segue viva, hoje em novas plataformas, e o documentário reforça por que sua história merece ser contada e recontada.
Nota: 3/5
Contato: naoparecemaseserio@gmail.com
Youtube: Canal do Youtube – Não Parece Mas É Sério
Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio
Instagram: @naoparecemaseserio