Leve, divertido e com gosto de domingo em família, mas como dois sotaques na Netflix

Família, Pero no Mucho é aquele tipo de comédia leve que te pega pelo sotaque, mas fica mesmo é pela sinceridade. Dirigido com mão firme e coração leve por Felipe Joffily, o filme aposta em um tom familiar e descomplicado para contar a história de dois pais que querem o melhor para os filhos e, claro, acabam atrapalhando tudo no caminho. Leandro Hassum e Gabriel Goity vivem os sogros brasileiro e argentino, respectivamente, que se veem unidos (e muitas vezes em pé de guerra) por um casamento entre seus filhos músicos. E a dupla funciona com um timing cômico certeiro, recheado de alfinetadas entre Brasil e Argentina que nunca passam do ponto.
O longa acerta ao tratar os pais como homens que erram tentando acertar a clássica tentativa de ajudar que vira interferência. As piadas sobre as diferenças culturais e linguísticas entre os dois países funcionam bem, assim como os usos da locação argentina, que serve como pano de fundo charmoso e autêntico para a trama. As melhores cenas são mesmo entre os dois sogros, com seus egos inflados, opiniões fortes e uma implicância que carrega afeto disfarçado. A química dos dois segura boa parte da narrativa, que flui num ritmo gostoso e sem excessos.
O elenco como um todo convence bem como uma família real com suas diferenças, seus atritos e aquele carinho que nem sempre vem em forma de abraço. Mas há um certo desequilíbrio de foco: a comédia romântica entre os filhos, vividos por Júlia Svacinna e Simon Hempe, que parecia promissora, acaba ficando de lado, e o que poderia ser um núcleo mais emocional se dilui em poucas cenas. O casal de músicos tem química, mas pouca oportunidade de brilhar.

As mães, interpretadas por Karina Ramil e Mariela Pizzo, também têm menos espaço do que mereciam. Suas personagens aparecem como contrapontos sensatos em meio aos surtos paternos, mas são pouco exploradas, o que deixa o filme com um certo ar de desequilíbrio narrativo. Ainda assim, Pero no mucho cumpre o que promete: uma comédia leve, com sotaques diversos e conflitos familiares universais, que entretém sem subestimar o público.
No fim das contas, é um filme sobre tentar se entender como casal, como família, como culturas diferentes tentando falar a mesma língua, mesmo que com alguns tropeços no caminho. E se nem tudo sai como o planejado, pelo menos sai com charme.
Nota: 3/5
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