Animação, Cinema, Crítica de Filme

Mundo Proibido | Crítica

Em uma animação exuberante e visualmente impecável, Mundo Proibido traz algo diferente ao espectador. 

Mundo Proibido segue a jornada do aventureiro intergaláctico Fujiwara Manchester e sua namorada Lydia em busca de um tesouro lendário no século 27. O roteiro, assinado por Alê Camargo e Camila Carrosine, equilibra elementos clássicos da ficção científica com muita aventura.

O ponto forte da narrativa reside na construção de um universo expansivo e repleto de detalhes, sugerindo uma mitologia rica. No entanto, há um problema estrutural recorrente: a linearidade excessiva. A trama se desenrola de forma previsível, sem grandes reviravoltas que desafiam o espectador. Além disso, os diálogos, às vezes se perdem em detalhes desnecessários

Fujiwara é carismático, mas sua motivação é genérica; Lydia, por sua vez, carece de desenvolvimento próprio, servindo mais como apoio à jornada do protagonista. O vilão, embora visualmente marcante, tem motivações pouco exploradas, o que reduz a tensão dramática da história.

Visualmente, Mundo Proibido é ambiciosa e belíssima. A colaboração com Andrew Probert (Star Trek e De Volta para o Futuro) é evidente no design de naves, cenários e equipamentos futuristas, criando um universo visualmente rico e autêntico.

O uso da animação 3D é competente. Em momentos de ação mais intensa, a fluidez dos movimentos poderia ser melhor refinada, mas nada que atrapalhe a experiência do espectador. A escolha de uma paleta de cores vibrante e os detalhes nas texturas dos ambientes ajudam a criar uma atmosfera imersiva, evocando tanto a ficção científica clássica quanto elementos do space opera contemporâneo.

A trilha sonora é um dos pontos altos do filme. Composta por Fabiano Krieger e Lucas Marcier, a música equilibra temas orquestrais grandiosos com sintetizadores inspirados nos anos 80. O design de som também merece destaque, especialmente no uso de efeitos espaciais e sonoridades alienígenas que enriquecem a ambientação. 

O ritmo do filme oscila entre momentos de grande dinamismo e trechos onde a narrativa se arrasta. As sequências de ação são bem coreografadas, mas entre elas há passagens que poderiam ter um tempo de tela reduzido sem prejuízo para a trama.

A edição, por sua vez, funciona bem na construção das cenas, mas algumas transições são abruptas, especialmente nos momentos em que há mudanças bruscas de cenário sem um desenvolvimento adequado. Isso pode fazer com que o espectador sinta que certos eventos acontecem rápido demais, sem o devido impacto emocional.

Nota: 4/5

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