Em um filme com excessos, bons personagens seguram a trama no lugar

O filme dirigido por Eder Santos é uma adaptação da obra de Murilo Rubião, que mostra Romeu (Chico Diaz) que viaja buscando liberdade, porém sua viagem não é tão tranquila quanto ele espera.
A trama principal tem bons cenários e cores, que ajudam o espectador a mergulhar na distopia, digamos assim, dos locais que vemos, mesmo sem encontrarmos semelhanças visuais, somos imersos na viagem de Romeu com facilidade.
A jornada do protagonista parece simples e contundente ao iniciar, mas na primeira interação e cenário, entendemos que não estamos em road movie comum, ele vai enfrentar punições e perseguições ao longo de seu percalço, onde cada experiência virá para auxiliá-lo em algo.
Essa carga sentimental é auxiliada pelos cenários e fotografia, que juntas criam um novo ambiente para abordar o que o protagonista pode ser sentindo naquele momento, e mudar conforme a trama principal segue em frente.
Em meio ao caos criado pela estrutura, acabamos percebendo melhor os bons personagens que Girassol possui, Chico equilibra bem as camadas de Romeu e sua troca de cenas, Luiza Lemmertz faz uma femme fatale imponente e com boas falas e o ditador feito por Daniel de Oliveira tem personalidade marcada; mesmo com momentos caricatos, temos boas cenas e interações.

O ar trazido é distópico, mas as tramas que envolvem os personagens são pautadas pelo real, há como notar os pontos de uma ditadura que o roteiro traz, como as imposições de poder, impostos e não deixar aberturas para a liberdade.
Mesmo com uma duração reduzida, o filme não muda sua forma, com isso não temos um bom balanceamento, que pode tirar o espectador da imersão que o primeiro ato causa.
O sistema opressor tão bem colocado aqui, não possui um contraponto tão bem feito, temos dificuldade de encontrar até mesmo uma resistência dos personagens ao que os circula, deixando a distopia ficar sempre no mesmo ponto.
Há muito aqui tecnicamente, e as repetições que o protagonista passa também incomodam, pois algumas vezes temos a sensação que a história não está ‘andando’ e se afastando do que importa.
A jornada acaba sendo positiva ao final da sessão, temos o que ver, sentir e perceber ao longo de Girassol Vermelho, mesmo com alguns problemas aqui e ali, é um filme que devemos prestar atenção.
Nota: 4/5
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