Cinema, Crítica de Filme

Milton Bituca Nascimento | Crítica

Documentário homenageia Milton Nascimento e sua última turnê, mas falta profundidade em alguns atos.

O documentário registra os bastidores da turnê de despedida do músico e seu reencontro emocionante com fãs de todas as partes do mundo – entre os quais grandes personalidades mundiais, como Gilberto Gil, Mano Brown e Quincy Jones. A produção acompanhou Bituca durante dois anos, registrando momentos diferentes e mesmo quem teve oportunidade de acompanhar um dos shows, é surpreendido de alguma forma.

Trazer uma turnê de despedida de um artista, por si só, já é melancólico de alguma forma, vemos em tela as últimas músicas e interações de Milton com seus fãs. A diretora Flavia Moraes sabe o material rico que tem ao estar tão perto de momentos únicos, e aproveita essa amplitude para homenagear Milton a todo tempo.

Ela traz muitos depoimentos que mostram para todos que assistem, qual o patamar que Milton está a partir desse olhar, ela trabalha essas falas que exaltam Bituca, seja pela sua capacidade vocal, letras ou composição. A diretora também traz o olhar de fora para o documentário, com nomes fortes e indiscutíveis.

Há muita exaltação aqui, seja pelos diversos nomes que aparecem para falar de Milton, ou que elogiam as capacidades dele, faltou apenas balancear os elogios e nomes para outros lados da vida de Milton fossem apresentadas.

Isso também é ajudado pelo escopo escolhido, temos uma visão focada nas últimas apresentações e as visitas de Milton em alguns lugares da turnê, seu passado e trajetória total, ou como chegamos nesse quase ponto final, pouco aparecem e se desenvolvem. 

Estar próximo dele, e deixar tudo fluir com naturalidade é magnânimo, além de usar os shows e locais como complementação de planos, mesmo que nós espectadores tenhamos uma visão de bastidores por mais tempo, a composição desses momentos rende bons frutos.

O roteiro se exime de polêmica ou qualquer tipo de rusga que Milton pode ter tido um dia, o documentário é para exaltá-lo e registrar estes momentos, além de trazer o artista para palcos na Europa, com locais diferentes das arenas que estamos acostumados. 

Os fatos têm a narração de Fernanda Montenegro que vai mudando seu tom de voz para cada momento que vemos, seja quando vemos a trajetória de vida, os momentos felizes e detalhes dos shows e ensaios. E ela não tem apenas uma função de narrar fatos e sim de contar uma história, pensando em fãs e não fãs de Bituca. Os únicos momentos que perdemos a presença da indicada ao Oscar é quando os convidados falam.

Mesmo com o excesso de elogios, o filme se mantém na linha de finalizar os últimos shows e render uma homenagem interessante a Bituca.

Nota: 3/5

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