Cinema, Crítica de Filme

Alma do Deserto | Crítica

Alma do Deserto não é sobre apenas encontrar sua identidade, mas seu lugar no mundo. 

Alma do Deserto acompanha Georgina, uma mulher trans da etnia Wayúu, que luta para obter o direito básico de ter sua identidade reconhecida. Após perder seus documentos em um incêndio criminoso, provocado pelos próprios vizinhos que não aceitavam sua presença.

A jornada de Georgina Epiayu não é apenas para ter seus novos documentos, principalmente a carteira de identidade, mas sim uma jornada de se reconhecer, ter seus direitos básicos como cidadã devolvidos e ter sua casa reconstruída.

A diretora que também é responsável pelo roteiro, Mônica Taboada Tapia, traz a câmera para perto de Georgina, acompanhado suas diversas visitas a órgãos públicos, porém também veremos ela tendo suas conversas com os vizinhos, onde percebemos o local onde ela está inserida, com a sua vida simples, e as dificuldades dos moradores, como acesso a água potável e saneamento.

Mesmo com um filme que vamos acompanhar a rotina, a diretora faz uso de bons planos, sejam os abertos para mostrar a solidão da protagonista e como o lugar é isolado, e os planos focados no rosto dela para maior proximidade e aumentar a dramaticidade de suas palavras.

A fotografia é auxiliada pela composição da luz do sol intensa e velas pela noite, mas temos as cores dos vestidos e os lugares aglomerados como um elemento a ser observado também ao assistirmos essa história.

Ao ter dificuldade de ter o documento com a novo sexo, ou seja, com o sexo feminino e nome trocado, temos a jornada de auto reconhecimento, dela se colocar contra o que lhe oferecem.

Não estamos vendo apenas um reconhecimento do governo, e sim uma jornada completa e detalhada sobre se encontrar e mudar o rumo da sua própria vida, se reconstruir em diversos sentidos.

Georgina com sua simplicidade e dificuldades, vai aos poucos conseguindo, mesmo que o filme também mostra como a vida também dá suas rasteiras inesperadas. A solidão dela em diversos momentos do filme, expressam aquele sentimento de ‘você contra o mundo’

A linearidade de fatos não se preocupa com o tempo que passou entre os momentos, prefere focar no avanço da história e ir aos poucos estruturando a vida de Georgina conforme ela vai tendo suas pequenas conquistas.

A jornada da protagonista também é um olhar para o local, da população que não quer sair de lá, mesmo com a ausência de saneamento básico e acesso a água, eles são moradores do local e não irão se retirar a pedido da prefeitura.


A estrutura é simplista, porém a história é grandiosa e delicada. Alma do Deserto passa do reconhecimento de gênero para outros elementos com facilidade, e se apoiar em uma história real, é também interessante.

Nota: 4/5

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