Longa faz analogia com estações do ano para abordar situações desafiadoras

Apresentado no festival de Cannes deste ano, Sol de Inverno (2024) conta com direção, fotografia e montagem do cineasta Hiroshi Okuyama, responsável pelo curta-metragem Saigo no hoshi (2018), longa Jesus (2018) e mini série The Makanai: Cooking for the Maiko House (2023).
Com duração de 90 minutos, o longa traz a história de Takuya (Keitatsu Koshiyama), um menino curioso que se apaixona pela patinação artística ao observar Sakura (Kiara Nakanishi) e seus movimentos graciosos no gelo. Ao notar o interesse do jovem pelo esporte, o treinador Hisashi Arakawa (Sôsuke Ikematsu) ex-vencedor de inúmeras competições, decide treinar a criança.
Ainda é início do inverno e com a dedicação de Takuya, nota-se uma rápida evolução. Os passos que pareciam desafiadores, tornam-se delicados e certeiros. Aos olhos de Hisashi, o menino possui potencial e poderá avançar ao lado de Sakura, se formarem uma dupla.
A aproximação de Takuya com Sakura, que desde o início a admirava, cresceu e se fortaleceu em uma parceria de ritmos.
Cabe ressaltar a composição do filme, que com uma fotografia vintage, reforça o estilo “home made”, trazendo maior sensibilidade para as cenas. Uma das cenas mais doces do longa são de Takuya, Sakura e Hisashi, um trio virtuoso, esboçando felicidade em meio aos treinos, brincadeiras e sorrisos.

Entretanto, o material perde força pelo roteiro, que muitas vezes é inexistente e fraco. A história perde também com o início, que poderia ter sido melhor aproveitado, visto que só vemos Takuya não gostando de baseball ou hóquei, mas pouco foco sobre as perspectivas dos pais do menino, que em uma breve passagem falam apenas que ele deve escolher o que se sente mais confortável, o pai havia enfatizado que hóquei deveria ser sua escolha .
Mas o que surpreende é o que fez com que o trio se separasse. Sakura percebe que o treinador é homossexual e decide parar de fazer aulas com ele, deixando Takuya no escuro e sem sua dupla.
A maneira como o filme aborda o preconceito no Japão é interessante, apontando as consequências para aqueles que sofrem com a violência, mas pecou por dar várias voltas para apresentar um problema social.
Apesar desses pontos, Sol de Inverno brinca com o conceito das estações do ano para abordar o plot do longa. Durante o período de frio, as cores frias tingem a tela, trazendo reflexão e cautela. Entretanto, cores quentes são usadas em momentos de excitação e interesse.
Também traz um debate sobre a tão esperada primavera, como sendo um período de esperança, sonhos e recomeços, o que fica evidente no final da trama.
Nota: 3/5
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