Em um filme com Johnny Depp secundário, A Favorita do Rei brilha ao abordar temas densos e difíceis, com uma fotografia e cenários impecáveis.
O filme dirigido e escrito por Maïwenn (Meu Rei) conta a história de Jeanne du Barry, que é amante de Luís XV (Johnny Depp). Os dois se apaixonam intensamente. Com a companhia da cortesã, o Rei redescobre o prazer de viver, a tal ponto que não consegue mais ficar sem ela e decide torná-la sua favorita oficial. Isso causa um escândalo, pois ninguém quer uma garota “da rua” na Corte.
A diretora foca sua história em Jeanne e suas proximidades e relações, com poucos espaços para os personagens que a envolvem, com isso temos uma melhor exploração dos temas, e como eles influenciam a vida do casal e as reações da corte quanto a relação dos dois.
Além de uma boa história que traz a linearidade dos fatos, temos um filme com riqueza de detalhes nos cenários, figurinos e fotografia. Somos colocados nessa trama com facilidade, sendo guiado pela interpretação de Maïwenn nas diversas fases de sua vida, com claro, grande enfoque na relação com o rei.
Os temas escolhidos são bem trabalhados e conduzidos lentamente, com a abordagem de um de cada vez, como se tivéssemos um momento para cada subtrama, algo que funciona bem aqui e temos como perceber as consequências de cada ato.
A transição entre os elementos são suaves e com colocações importantes, dando a total referência para os problemas da época e como a realeza lidava com os problemas ligados a acompanhante do rei.
Maïwenn traz a força dessa persona real com extrema facilidade, aliada aos momentos que o longa traz, com as mudanças de personalidade e como ela lida com o preconceito da corte real principalmente.

Mesmo com Depp no filme, tudo o que envolve a amante é secundário, eles servem apenas como as interações dela, e para explicar sua personalidade e como ela chega nas suas escolhas, e seus impactos na rotina.
O foco pode até ser na favorita, mas não dá pra dizer que a relação do rei com ela não foi devidamente explorada, ela passa por diversos momentos, de amante a ‘rainha’, de como as filhas tratam ela ao longo do tempo e as poucas interações com a população e sua interferência nas decisões do rei.
Os temas são pertinentes e fazem sentido a trama, sendo eles pesados e fazem o retrato da época, e como as mulheres têm um tratamento diferente pelos mesmos comportamentos, e como isso reflete diferente. O filme também aborda como pessoas de diferentes etnias e origens possuem tratamento fora do esperado.
Há claro um peso nos diálogos, porém há uma delicadeza de trazer eles à tona, percebemos um cuidado em explicar e desenvolver cada um deles, mesmo que seja um por vez, ou usando a linha do tempo para isso.
Estruturalmente formidável, A Favorita do Rei é mais abrangente do que imaginamos e temos uma grande história, mesmo que ele não primor no respeito da realidade real, mas tem tem uma grande história pra contar, pelo olhar feminino e pouco do rei.
Nota: 4/5
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