Cinema, Crítica de Filme

Tesouro | Crítica

Em um filme tocante, para toda a família e cheio de peso histórico. Tesouro usa a relação entre pai e filha para uma trama divertida, mesmo com temas difíceis. 

Ruth (Lena Dunham), jornalista americana, viaja para a Polônia com seu pai Edek (Stephen Fry) para visitar os lugares de sua infância. Mas Edek, sobrevivente do Holocausto, resiste a reviver seu trauma e sabota a viagem criando situações involuntariamente cômicas.

O roteiro tem uma missão ingrata aqui, falar de um sobrevivente do holocausto, enquanto ele revive as memórias do trauma no local, e a filha quer fazer dessa experiência algo jornalístico e para sua família; automaticamente se imagina que teremos um drama pela frente, mas as cenas muitas vezes cômicas, que envolve a relação dos dois ou abordagem de cada novo elemento, tira o peso do tema duro.

Com isso temos um longa leve e divertido sobre um tema pesado e histórico, que não se perde nas piadas involuntárias e momentos até mesmo constrangedores, e ainda aborda a relação entre pai e filha, que tem um misto de zelo do pai, a carga dramática da perda da mãe e como os dois enxergam a vida.

A linearidade dos fatos é essencial para essa viagem entre os dois, mas a excelente fotografia, ótimos cenários e locações reais trazem mais sentimentos ao que vemos, e sempre agrega algo ao espectador.

Para um maior dinamismo, há o uso do polonês em momentos com o pai, onde ele tenta fazer as coisas ao seu jeito, por consequência fugir de encarar alguns traumas do passado, gerando algumas alterações que parecem saídas de sitcoms, que são ótimas, mas há como notar algumas referências. 

A filha também tem suas preocupações incluídas na trama, seja seu desempenho como jornalista, seu corpo e até mesmo sua dificuldade de relações tem seu espaço aqui, com cenas que misturam drama e comédia.

A dupla protagonista tem boas interações e cenas que por misturar gêneros, mostra toda a capacidade técnica de Lena Dunham e Stephen Fry que mesmo que não tenha uma piada no diálogo, demonstram diversos sentimentos e camadas que vão de pura paternidade a sentimentos mais profundos e densos.

A forma com que o passado do pai aborda o holocausto, não é nada teórico, eles visitam o lugar, ele conta as experiências ali, na flor da pele, e relembra o que viu, esse sentimento pesado e alterado por momentos leves para ao mesmo tempo criticar de como trabalhamos um passado histórico difícil como fonte comercial.

Dessa forma, oscilando os níveis de humor, o longa lida com o trauma do passado do pai, sem perder a dramaticidade quando há um alívio cômico ou uma transição para um outro momento, como uma pausa para o café.

A relação familiar continua sendo o centro do filme, mesmo que a história por trás seja densa e cheio de permeios, há como se emocionar tanto com a ótima atuação dos dois, que fazem um pai e uma filha com problemas, mas que buscam algo em comum, com que as tramas sobre o holocausto e as marcas que isso deixou em Edek.

Nota: 4/5

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