Cinema, Crítica de Filme

Prisão nos Andes | Crítica

Mostrando para onde vai o torturador chileno condenado, Prisão nos Andes mostra um lado pouco visto na ditadura, transformando os sentimentos do espectador

Conforme vamos conhecendo a história dos países que passaram por uma ditadura, entendemos como foi o processo dos familiares e envolvidos em lidar em este momento, mas Prisão do Andes, traz um olhar diferente, que retrata cinco cruéis torturadores da ditadura de Pinochet, que cumprem suas penas em uma luxuosa prisão aos pés da cordilheira dos Andes.

O longa dirigido por Felipe Carmona mostra uma visão completamente diferente de um filme sobre ditadura, aqui não temos atos violentos ou sérios, e sim, ‘presos’ por crimes bárbaros que mal sentem o peso de seus crimes.

Com isso temos uma trama que retrata quase que um reality show de senhores que tem uma rotina de férias do que algo dentro do contexto histórico do Chile, onde eles se preocupam apenas com o seu bem estar do que a repercussão de seus casos, até um momento específico muda tudo.

A relação entre os guardas e os presos são interessantes, por justamente abordar essas condições distantes que ambos possuem no mesmo lugar, há um trabalho dos planos e diálogos para estruturar estes fatos e mostrar como estes dois grupos são heterogêneos e frios. 

A realidade mostrada é quase uma distopia, pois apenas nos momentos em que eles acessam a tv e o advogado somos lembrados de suas prisões, e os motivos deles estarem ali, há um distanciamento dos fatos por boa parte da trama principal.

Os sentimentos aqui são ambíguos, tanto de quem assiste, e quem espera algo próximo do tempo histórico que o filme se passa, o diretor se apropria dos elementos de fora do eixo, para mostrar sentimentos inesperados e trazer uma realidade pouco experimentada nos cinemas.

Ele foge de qualquer peso da ditadura chilena, trazendo um escopo próximo e ao mesmo distante, pois não há remorso, dor ou tristeza neles, os toques de realidade ficam pelos guardas que sentem que seu trabalho é desigual e fora do lugar, sem uma real importância.

Mesmo com essa forma, ele mostra as fontes de poder, de como eles possuem fontes de influência e conseguem ser insistentes, evidenciando de como eles estão desconexos da realidade e mesmo com a entrevista, eles não percebem de como eles estão fora do pensamento mundano.

Os exageros ficam pelas trocas entre eles e os guardas, porém o roteiro tem o cuidado de ter algum elemento para lembrar o espectador sobre o tempo histórico e como eles são vistos do lado de fora da prisão.

Prisão Nos Andes é uma abordagem rara da ditadura chilena e consegue ser incômoda por justamente trazer um lado diferente da história.

Nota: 4/5

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