Filme “Favela do Papa”, seleção oficial do É Tudo Verdade, resgata história que representa um marco na política fundiária do RJ. O documentário produzido pela Urbano Filmes estreia nos cinemas cariocas no dia 22 de agosto.

O longa-metragem “Favela do Papa” é o quarto filme dirigido pelo cineasta e produtor Marco Antônio Pereira. Uma produção da Urbano Filmes, o projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo de apoio à cultura em decorrência dos efeitos econômicos e sociais da pandemia de covid-19. A distribuição nos cinemas será feita pela Cavideo e conta com suporte da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado do Rio. O lançamento nas salas do Rio de Janeiro acontece no dia 22 de agosto, e depois o filme segue para outras capitais. Além disso, ocorre uma pré-estreia especial no dia 21 de agosto, às 19h, no Estação NET Rio, em Botafogo, na sala 5, seguido do show Sérgio Ricardo Memória Viva, com os filhos do artista, um morador ilustre do Vidigal, que participou ativamente do episódio narrado no documentário.
O documentário aborda o movimento de resistência dos moradores da Favela do Vidigal contra uma ordem de remoção, na década de 70. É um episódio divisor de águas em se tratando de política fundiária: a organização popular, com o apoio da Igreja Católica e personalidades, fez com que a atenção da mídia e da população brasileira recaísse para a comunidade do Vidigal impedindo a perda de moradias para exploração imobiliária.
Através do resgate de imagens preciosas de época e entrevistas, o filme mostra como se deu esse apoio na defesa da permanência dos moradores em seu território. O engajamento da Igreja católica, através da Pastoral das Favelas, de juristas e do artista Sérgio Ricardo, fez a diferença e a vitória foi coroada com a visita histórica do Papa João Paulo II à favela em 1980, reconstituída agora pela primeira vez no documentário.
O filme integrou a seleção oficial do Festival É Tudo Verdade, maior evento de documentário da América Latina, e a Mostra Ecofalante, em São Paulo, com apreciação de público e crítica. É uma história tão rica em seus detalhes que encontra reflexo na atualidade, e que agora, finalmente, chega ao cinema: a partir de um episódio local no Rio de Janeiro, o documentário joga luz, com um excelente trabalho de pesquisa iconográfica, sobre moradia, organização popular e direitos e deveres do Estado.