Batman: Cruzado Encapuzado traz o homem morcego investigativo, com uma trama levemente adulta e com bom desenvolvimento dos personagens pelos episódios.

Em Batman: Cruzado Encapuzado somos imersos a uma Gotham City, onde os corruptos superam os bons, os criminosos correm desenfreados e os cidadãos que cumprem a lei vivem em um estado constante de medo. Forjado no fogo da tragédia, o rico socialite Bruce Wayne se torna algo mais ou menos humano – o BATMAN. Sua cruzada individual atrai aliados inesperados dentro da GCPD e da prefeitura, mas suas ações heroicas geram ramificações mortais e imprevistas.
Mesmo com a produção de Bruce Timm, que trabalhou em Batman: A Série Animada (1992-1995), a nova animação do personagem que está chegando no prime video em agosto é uma reimaginação do homem morcego/Bruce Wayne, por trazer uma trama ‘mais adulta’ e mudar os gêneros e etnia de alguns vilões conhecido do seu universo.
Essas polêmicas de troca são bem resolvidas ao longo dos episódios, já que a personalidade e atitudes dos personagens, por exemplo, Pinguim, agora é uma mulher, mas os elementos de gangster, personalidade e até mesmo o guarda chuva com uma ponta de faca foram mantidos, a grande diferença ficou apenas na sua vestimenta, que agora tem vestidos e decotes.
Outro elemento que é perceptível logo nas primeiras cenas é o Batman investigativo, pois logo no primeiro episódio já há um mistério a ser resolvido, também percebemos um protagonista que tem um bom combate corporal e interrogatórios diferentes.

Aqui temos quase um ‘Batman: Ano 2’, pois o Homem Morcego é uma lenda urbana que está sendo aos poucos reconhecida como algo real, não espere uma relação com Gordon e com a polícia da cidade, eles querem prendê-los e terminar com a fama de justiceiro.
Mesmo com episódios curtos, em torno de 25 minutos, o roteiro sabe focar nos personagens secundários ou vilões, com um bom tempo de tela, criando elementos e situações para cada um, com camadas para trazer tanto o fã, quanto quem está sendo apresentado a eles, como Harvey Dent que tem momentos como promotor, candidato e relações com os presos.
O traço lembra a série animada, mas é a única comparação que é possível ser feita, pois é um novo universo a ser explorado, com as propostas da troca de personagens, parece uma novidade, mas é só um começo diferente.
Também temos um Batman obcecado pela resolução dos problemas, que até mesmo estar como Bruce Wayne é um pretexto para descobrir novas pistas, já que o playboy pode ser um trunfo em alguns momentos.
Inclusive a dublagem (os episódios foram enviados no idioma original) sabe trocar o tom de voz nos momentos Bruce e Batman, para aproveitar essas personalidades.

O desenvolvimento das histórias ocorrem através dos secundários inicialmente, como ‘o problema do episódio’, sem uma trama principal neste começo. O roteiro preferiu dar espaço aos personagens e os vilões primeiro, para depois ter uma trama principal, mas há como encontrar as ligações entre eles.
O próprio Batman é fruto dessas ligações, aos poucos ele sai do imaginário de Gotham para algo palpável e perigoso, com um carro rápido e saídas rápidas que conhecemos.
A aventura e movimentação entre as subtramas é presente, há poucos alívios cômicos, com um tom noir, que sabe construir um peso de uma morte, uma atitude grave de um vilão e como isso interfere nas cenas seguintes, não há um tom adulto, mas diferente de uma série infantil, há temas um pouco elevados para um público infanto-juvenil. O primeiro episódio é uma prova clara disso (sem spoilers)
O começo dessa temporada escancara um novo Batman, mas o fã não terá problemas em reconhecer as referências e o panteão de vilões que a série promete trazer nos dez episódios da primeira temporada.